Um tema vem ganhando espaço nas conversas entre mulheres, mas ainda é cercado de dúvidas, mitos, mal-entendidos e, consequentemente, de diagnósticos atrasados. O lipedema pode provocar dor, sensibilidade, inchaço constante e acúmulo de gordura que não responde às dietas tradicionais. Por ser confundido com ganho de peso ou retenção, muitas mulheres passam anos sem entender o que realmente está acontecendo com o próprio corpo.
A boa notícia é que, quando reconhecido cedo, o lipedema pode ser tratado e estabilizado com mudanças no estilo de vida, alimentação e, em alguns casos, cirurgia especializada.
Afinal, o que é lipedema?
O lipedema é uma condição crônica e inflamatória caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura que não responde de forma usual ao emagrecimento. Segundo a endocrinologista Tassiane Alvarenga, os primeiros sinais costumam passar despercebidos – e é justamente por isso que o diagnóstico costuma atrasar. “Os sintomas iniciais incluem aumento desproporcional de gordura em pernas e quadris, dor ao toque, hematomas frequentes e sensação de peso nas pernas”, detalha.
Muitas mulheres tentam reverter o quadro com dieta e exercício, mas como o lipedema é uma condição inflamatória, a gordura não responde como o restante do corpo. Além disso, flutuações hormonais, como puberdade, gestação e perimenopausa, podem agravar o quadro.
Lipedema ou obesidade?
Embora possam coexistir, lipedema e obesidade não são a mesma coisa. A gordura do lipedema é diferente: é mais firme, dolorosa e resistente ao emagrecimento. Tassiane explica que, no lipedema, existe inflamação crônica, fragilidade capilar e comprometimento da drenagem linfática, fatores que não estão presentes da mesma forma na obesidade comum.
Quando lipedema e obesidade aparecem juntos, os impactos se somam, acelerando a progressão e o desconforto.
Como é o tratamento?
O tratamento clínico é sempre a primeira etapa e costuma trazer ótimos resultados, principalmente nos estágios iniciais e moderados da doença. Alguns cuidados incluem:
- Alimentação anti-inflamatória e controle glicêmico;
• Exercícios de baixo impacto e fortalecimento muscular;
• Drenagem linfática e exercícios linfáticos;
• Uso diário de meias de compressão;
• Tratamento de obesidade e comorbidades, quando presentes;
• Cuidados com o sono e manejo do estresse.
Quando o caso é cirúrgico?
Segundo a endocrinologista, o procedimento é indicado quando o lipedema ultrapassa a capacidade do tratamento clínico. “A cirurgia é necessária quando há dor intensa persistente, limitação funcional, deformidade progressiva ou estágio avançado com fibrose importante”, afirma.
A técnica usada é a lipoaspiração tumescente especializada, que preserva vasos e linfáticos. No pós-operatório, é essencial manter compressão constante, drenagem frequente e retorno gradual às atividades.

Tratamento no prato
A alimentação é uma das ferramentas mais importantes para aliviar sintomas do lipedema. Amanda Figueiredo, nutricionista clínica pela Universidade de São Paulo (USP), reforça que a dieta anti-inflamatória faz diferença no dia a dia. “Peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva, frutas vermelhas, nozes, verduras escuras e fibras ajudam a reduzir inflamação, melhorar circulação e controlar o inchaço”, diz.
Entre os aliados:
• Frutas, legumes e grãos integrais;
• Proteínas de qualidade;
• Gorduras boas (azeite, abacate, castanhas);
• Hidratação adequada.
E os vilões?
Segundo Amanda, açúcares refinados, ultraprocessados, excesso de sal e carboidratos simples podem piorar a inflamação e a retenção de líquidos.
Erros comuns
- Achar que é “só emagrecer”.
Um dos deslizes mais frequentes é acreditar que o lipedema melhora apenas com dieta restritiva. A perda de peso ajuda na saúde geral, mas não reduz o tecido adiposo do lipedema. - Forçar exercícios de alto impacto.
Muita gente insiste em treinos pesados para “secar a perna”, mas, no lipedema, impactos excessivos podem piorar a dor, o edema e os hematomas. O resultado é o oposto do esperado. - Parar o tratamento ao sentir melhora.
Como os sintomas vão e voltam, é comum interromper o uso da meia de compressão ou o acompanhamento profissional quando há alívio inicial. Mas o controle é contínuo e pausar os cuidados costuma trazer o desconforto de volta.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1502, de 2 de janeiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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