Quem nunca ouviu recomendações como “toma um chá de camomila”, “dorme que melhora” ou “mel com limão ajuda”? Por décadas, esses conselhos passaram de geração em geração como parte da chamada sabedoria popular. Hoje, pesquisadores e profissionais da saúde vêm observando que algumas dessas práticas realmente têm explicações fisiológicas.
Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, muitos desses hábitos surgiram a partir da observação do comportamento do corpo ao longo do tempo.
“As mães sempre tiveram uma percepção muito intuitiva do funcionamento do corpo humano. Muitas crenças populares surgiram da observação cotidiana dos efeitos do sono, do estresse, das emoções e das plantas medicinais sobre o organismo”, explica.
Mas quais dessas recomendações têm respaldo científico? E quais são apenas mitos? Confira.
Chá de camomila ajuda a acalmar?
Verdade. A camomila contém compostos naturais, entre eles a apigenina, que pode se ligar a receptores cerebrais relacionados ao relaxamento.
Por isso, o chá costuma ser associado a uma sensação de tranquilidade e pode contribuir para uma melhor qualidade do sono em algumas pessoas.
Erva-doce realmente ajuda na digestão?
Verdade. A erva-doce é tradicionalmente utilizada para aliviar desconfortos gastrointestinais, gases e sensação de estufamento. Seu uso é bastante comum após refeições mais pesadas.
Hortelã combate o enjoo?
Verdade. A hortelã pode auxiliar na digestão e ajudar a reduzir a sensação de náusea em algumas situações. Por isso, aparece frequentemente em chás e preparações usadas para aliviar desconfortos estomacais.

Boldo cura ressaca?
Mito. Embora o boldo possa contribuir para aliviar desconfortos digestivos após exageros alimentares, ele não elimina os efeitos do álcool nem protege o fígado dos danos causados pelo consumo excessivo.
Melissa ajuda a dormir melhor?
Verdade. Também conhecida como erva-cidreira, a melissa possui efeito calmante leve e costuma ser utilizada para promover relaxamento e auxiliar pessoas que apresentam dificuldade para desacelerar antes de dormir.
Gengibre combate a gripe?
Meia verdade. O gengibre pode ajudar a aliviar sintomas como irritação na garganta e sensação de mal-estar, mas não age diretamente contra os vírus responsáveis pela gripe.
Ou seja, ele pode trazer conforto, mas não substitui tratamentos indicados por profissionais de saúde.
Mel com limão faz bem para a garganta?
Verdade. O mel ajuda a reduzir a irritação local, enquanto o limão estimula a produção de saliva e pode proporcionar sensação de alívio.
A combinação é uma das receitas caseiras mais populares para momentos de desconforto na garganta.
Chá quente ajuda o corpo a se recuperar?
Verdade. Além do efeito físico do calor, existe também um componente emocional importante. O hábito de tomar um chá quente pode favorecer o relaxamento e criar uma sensação de acolhimento que contribui para o bem-estar.
Chá de alho corta a gripe?
Mito. O alho possui substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, mas não tem capacidade comprovada de interromper uma infecção viral.
Assim como o gengibre, pode ajudar no conforto durante o período de recuperação, mas não cura a doença.
Guaco é aliado contra a tosse?
Verdade. Tradicionalmente utilizado em preparações fitoterápicas, o guaco pode auxiliar no alívio de sintomas respiratórios leves e contribuir para reduzir episódios de tosse.
A sabedoria popular pode caminhar junto com a ciência?
Segundo Jamar Tejada, muitas práticas populares nasceram da observação cuidadosa dos efeitos de hábitos e plantas medicinais no dia a dia.
“A homeopatia busca compreender não apenas sintomas isolados, mas padrões físicos, emocionais e comportamentais de cada indivíduo, por isso que talvez a maior lição das mães seja justamente a atenção ao equilíbrio”, afirma.
Isso não significa que receitas caseiras substituam acompanhamento médico ou tratamentos comprovados. Mas mostra que algumas recomendações passadas entre gerações podem ter surgido de experiências que hoje encontram explicações na ciência.
Resumo: Nem todo conselho de mãe é mito. Chás como camomila, erva-doce e melissa podem contribuir para o relaxamento e o bem-estar, enquanto receitas como mel com limão ajudam a aliviar desconfortos na garganta. Já crenças como “boldo cura ressaca” ou “chá de alho corta gripe” não encontram respaldo científico.
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