Quando chegam as férias escolares, muitos pais respiram aliviados imaginando que, longe da sala de aula, os filhos finalmente terão uma pausa dos resfriados, gripes e infecções respiratórias tão comuns ao longo do ano letivo. Afinal, a escola é um ambiente de grande convivência e circulação de vírus.
Mas, curiosamente, algumas famílias percebem exatamente o contrário: basta começar o recesso para aparecerem sintomas como nariz entupido, tosse, espirros, dor de garganta, crises de rinite ou novos episódios de infecções respiratórias.
E por que isso acontece?
A resposta está no fato de que a saúde respiratória da criança não depende apenas da exposição dentro da escola. Durante as férias, especialmente no inverno, uma combinação de mudanças de rotina, novos ambientes e alterações climáticas também pode interferir no organismo.
É importante esclarecer um mito: não é simplesmente “pegar friagem” que deixa uma criança doente. O que acontece é que alguns hábitos comuns nos meses mais frios criam um cenário mais favorável para os problemas respiratórios.
Com temperaturas mais baixas, passamos mais tempo em locais fechados, com menor circulação de ar e maior proximidade entre as pessoas. Esse ambiente facilita a transmissão de vírus respiratórios.
Nas férias, a criança deixa a sala de aula, mas muitas vezes passa a frequentar outros espaços com grande concentração de pessoas, como aeroportos, aviões, hotéis, shoppings, cinemas, restaurantes e encontros familiares. Ou seja, ela continua exposta a diferentes agentes infecciosos.
Além disso, viagens podem trazer mudanças importantes para o sistema respiratório.
Crianças que saem de uma cidade quente para uma região mais fria, por exemplo, podem sentir o impacto dessa mudança, principalmente aquelas que já apresentam tendência a quadros alérgicos, como rinite.
O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias, favorecendo sintomas como congestão nasal, espirros, coceira no nariz, coriza e até piora da qualidade do sono.
Outro ponto que merece atenção são os ambientes de hospedagem e os itens usados apenas nessa época do ano. Casas fechadas por muito tempo, quartos de hotel, cobertores e roupas de inverno que ficaram meses guardados podem acumular poeira, fungos e ácaros, importantes gatilhos para crises respiratórias.
A mudança completa da rotina também tem influência.
Durante as férias, é natural que as crianças durmam mais tarde, passem mais tempo nas telas, mudem horários de alimentação e tenham dias menos previsíveis. Momentos de descanso e diversão são importantes, mas o sono continua sendo uma peça fundamental para o equilíbrio do organismo.
Dormir bem participa da regulação do sistema imunológico. Quando a criança passa muitos dias dormindo pouco ou com um sono de baixa qualidade, o corpo pode sentir os efeitos dessa desorganização.
A boa notícia é que algumas medidas simples ajudam a reduzir os riscos:
• manter a circulação de ar dentro de casa sempre que possível;
• estimular a hidratação ao longo do dia;
• lavar cobertores e roupas guardadas antes do uso;
• evitar contato excessivo com poeira e mofo;
• realizar higiene nasal com soro fisiológico quando indicado;
• tentar preservar uma rotina mínima de sono;
• manter a vacinação das crianças em dia.
Também é importante observar os sinais do corpo. Nem todo nariz escorrendo é apenas “mais um resfriado”.
Febre persistente, dificuldade para respirar, chiado no peito, dor de ouvido, piora progressiva dos sintomas ou quadros que se arrastam por muitos dias merecem avaliação médica.
As férias devem ser um período de descanso, brincadeira e boas memórias. Com alguns cuidados simples, é possível aproveitar esse momento protegendo também a saúde respiratória das crianças.
