A Covid-19 voltou ao radar com o surgimento da subvariante Cicada, uma nova linhagem da Ômicron que já foi identificada em mais de 20 países. Embora o nome chame atenção, especialistas reforçam que o cenário ainda não indica maior gravidade. Ainda assim, surgem dúvidas: as vacinas continuam funcionando? E os sintomas mudaram?
Logo após os primeiros registros, cientistas passaram a monitorar a subvariante Cicada de perto. Isso porque ela apresenta um número elevado de mutações, o que pode influenciar a transmissão do vírus. No entanto, até o momento, os dados são tranquilizadores, principalmente quando se trata de casos graves da Covid-19.
Subvariante Cicada: o que já se sabe?
A chamada subvariante Cicada (BA.3.2) faz parte da família Ômicron, ou seja, não é uma variante totalmente nova. Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) ouvidos pelo g1, o vírus continua evoluindo de forma gradual, acumulando mutações para se manter em circulação.
A principal diferença, segundo Juarez Cunha, diretor da SBIm, está na proteína Spike, usada pelo vírus para invadir as células. A nova linhagem possui cerca de 75 mutações nessa estrutura. Por isso, pode haver maior facilidade de infecção, mesmo em pessoas já vacinadas ou que tiveram Covid-19 anteriormente.
No entanto, é importante destacar: até agora, não há evidências de aumento na gravidade dos casos. Ou seja, embora o contágio possa ocorrer, o risco de hospitalizações não parece maior.
Sintomas da Covid-19 continuam os mesmos?
Até o momento, os sintomas associados à subvariante Cicada seguem o padrão já conhecido da Covid-19. Entre eles, estão:
- Febre
- Dor de garganta
- Tosse
- Coriza
- Cansaço
Segundo especialistas, não houve mudança significativa no quadro clínico. Portanto, a doença continua se manifestando de forma leve na maioria das pessoas, especialmente entre aquelas com vacinação em dia.
Vacinas contra Covid-19 seguem eficazes
Uma das principais preocupações envolve a eficácia das vacinas Covid diante de novas mutações. No entanto, especialistas são diretos: sim, os imunizantes continuam protegendo, principalmente contra formas graves da Covid-19.

Mesmo que a subvariante Cicada apresente algum escape imunológico, as vacinas ainda reduzem significativamente o risco de internações e mortes. Além disso, a proteção costuma durar de seis a doze meses após a dose.
Por outro lado, o que realmente preocupa neste momento é a queda na adesão à vacinação. Grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e gestantes, ainda apresentam baixa cobertura — o que pode aumentar os riscos.
Até agora, não há confirmação oficial da circulação da subvariante Cicada no Brasil. Porém, especialistas consideram provável que isso aconteça em breve, já que a disseminação internacional tem sido rápida.
Casos de gripe disparam e brasileiros correm aos postos
A temporada de gripe chegou mais cedo em 2026 e já preocupa autoridades de saúde. Os casos de gripe grave dobraram em relação ao mesmo período do ano passado, o que tem levado mais brasileiros a buscarem proteção. Especialistas reforçam que a vacinação contra gripe segue como a principal estratégia para conter o avanço da doença.
Ainda no início do outono, o cenário já se mostra mais intenso do que o esperado. Segundo dados do Instituto Todos pela Saúde (ITPs), o país registrou 3.681 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por Influenza nas primeiras 11 semanas epidemiológicas de 2026. Em comparação, no mesmo período de 2025, foram 1.838 registros — ou seja, um aumento de 100,3%.
Esse avanço acelerado tem relação, sobretudo, com a circulação antecipada do vírus e novas variantes do Influenza A. Portanto, especialistas alertam: entender quem deve se proteger agora faz toda a diferença.
A campanha nacional de vacinação contra gripe começou no dia 28 de março e já contempla diversos grupos prioritários. Entre eles, estão:
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
- Idosos a partir de 60 anos
- Gestantes e puérperas
- Trabalhadores da saúde e da educação
- Pessoas com doenças crônicas
Além desses, também podem se vacinar indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e profissionais de áreas essenciais. Em muitos municípios, contudo, a imunização pode ser ampliada para o público geral caso sobrem doses.
Vale destacar que a vacina oferecida pelo SUS é trivalente. Já na rede privada, existe a opção tetravalente, que protege contra uma cepa adicional do vírus. Ainda assim, ambas são eficazes na redução de complicações e hospitalizações.
Resumo: A subvariante Cicada da Covid-19 já circula fora do Brasil, mas não aumenta casos graves até agora. Os sintomas seguem leves e conhecidos. As vacinas continuam eficazes, principalmente contra hospitalizações. Especialistas alertam para a importância de manter a imunização em dia.
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