Nos últimos meses estão crescendo as queixas de sintomas como dor de garganta, nariz entupido, febre, tosse persistente e sensação de cansaço intenso. De fato, os vírus respiratórios voltaram a circular com mais intensidade em várias partes do mundo. Neste início de ano já observamos um cenário de circulação simultânea de vários vírus respiratórios, o que aumenta o número de casos de síndromes gripais na população.
Entre os principais vírus em circulação estão a Influenza A e B (vírus da gripe), o Vírus sincicial respiratório (VSR), Rinovírus e SARS-CoV-2 (Covid-19).
Esses vírus podem provocar sintomas muito parecidos entre si, o que torna difícil diferenciar apenas pelos sinais clínicos.
A gripe voltou a aparecer com frequência
A influenza continua sendo um dos principais responsáveis pelos quadros gripais. Em alguns estados brasileiros, exames laboratoriais já mostram aumento da positividade para Influenza A, indicando que o vírus voltou a circular com maior frequência.
Globalmente, também há um aumento da atividade da influenza desde o final de 2025, com algumas variantes do vírus se tornando predominantes na temporada atual.
A gripe muda constantemente. Por isso, a vacina é atualizada todos os anos para incluir novas cepas do vírus — como H1N1, H3N2 e variantes do tipo B.
O que mais está circulando além da gripe
Um aspecto importante deste ano é que a gripe não está circulando sozinha. Outros vírus respiratórios também estão ativos, criando um cenário que alguns especialistas chamam de “co-circulação viral”.
Dados epidemiológicos mostram que, entre os casos de síndrome respiratória grave no país, há participação de vários agentes infecciosos. Entre eles:
- cerca de 20% associados à Influenza A
- mais de 10% ao vírus sincicial respiratório (VSR)
- cerca de 32% ligados ao rinovírus, responsável por muitos resfriados
- aproximadamente 20% associados ao SARS-CoV-2
Ou seja, quando uma pessoa apresenta sintomas respiratórios hoje, não significa necessariamente que seja apenas gripe.
Por que parece que estamos mais doentes
Existem algumas razões que ajudam a explicar o aumento de quadros respiratórios.
- Retorno completo das interações sociais
Após anos de mudanças de comportamento durante a pandemia, as pessoas voltaram a circular mais, viajar e frequentar ambientes fechados. - Imunidade irregular da população
Durante os anos de isolamento, muitas pessoas tiveram menos contato com vírus respiratórios. Isso pode ter reduzido a imunidade coletiva para algumas infecções. - Vários vírus ao mesmo tempo
A circulação simultânea de influenza, rinovírus, VSR e Covid faz com que haja mais casos respiratórios no mesmo período.
Quando procurar avaliação médica em casos de gripes
Nem toda gripe precisa de consulta médica, mas alguns sinais merecem atenção, tais como:
- febre persistente por mais de três dias
- dificuldade para respirar
- dor forte no ouvido ou face
- tosse que dura mais de duas semanas
- rouquidão prolongada
- sintomas intensos em crianças pequenas ou idosos
Esses casos podem indicar complicações respiratórias ou infecções bacterianas secundárias.
O que realmente ajuda a prevenir gripes e resfriados
Mesmo com tantos vírus em circulação, algumas medidas continuam sendo muito eficazes:
- vacinação anual contra a gripe
- higienização frequente das mãos
- evitar ambientes fechados quando estiver doente
- manter boa hidratação
- cuidar da saúde do sono e da imunidade
Os vírus respiratórios fazem parte da nossa convivência social, mas com prevenção e atenção aos sintomas é possível reduzir muito o impacto dessas infecções.
Em tempos de muitos vírus circulando, a melhor estratégia continua sendo a mais simples: prevenção, vacinação e atenção ao próprio corpo.
Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros
Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP
Médico do corpo clínico do hospital Albert Einstein
Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial.
Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.
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