A busca por uma alimentação equilibrada nunca esteve tão em alta. No entanto, quando o assunto é proteína, surge uma dúvida comum: será que estamos exagerando? Uma pesquisa recente do Atlas/Intel revelou que 3 a cada 10 brasileiros se deixam influenciar pelo selo “fonte de proteína” na hora de comprar alimentos. Além disso, 37,9% afirmam que as redes sociais impactam diretamente esse comportamento.
Os dados revelam que o consumo de proteína virou tendência. Isso acontece, principalmente, por causa do crescimento do movimento fitness, da popularização das dietas e da grande oferta de produtos proteicos no mercado. No entanto, embora esse cenário pareça positivo, ele também levanta um alerta importante sobre excesso e desequilíbrio alimentar.
De acordo com especialistas, a proteína é essencial para o organismo, mas não deve se tornar uma obsessão. Em geral, adultos saudáveis precisam de cerca de 0,83 g por quilo de peso ao dia. Já pessoas fisicamente ativas podem necessitar entre 1,4 e 2,0 g/kg/dia. Ou seja, a necessidade existe, mas varia de acordo com o estilo de vida.
Redes sociais impulsionam o consumo de proteína
O aumento do consumo de proteína não acompanha apenas as necessidades nutricionais individuais. Atualmente, a internet influencia diretamente o que vai para o prato. De acordo com o levantamento, 14,2% dos entrevistados são totalmente influenciados pelas redes sociais, enquanto 23,7% sofrem influência parcial.
Entre as principais motivações estão o ganho de massa muscular (54,5%), a reposição de nutrientes (36,8%) e a manutenção da saúde (32%). Muitas pessoas recorrem aos produtos proteicos pela praticidade, mas essa escolha nem sempre garante qualidade nutricional.
A adição de proteína não torna um alimento automaticamente mais saudável. Por isso, é essencial observar o conjunto: calorias, açúcar, gorduras e sódio. Em outras palavras, o olhar deve ir além do rótulo.
Equilíbrio é o segredo — e quanto de proteína há nos alimentos?
Embora a proteína seja importante, ela não precisa dominar todas as refeições. Segundo especialistas, o ideal é distribuir o consumo de proteína ao longo do dia, com cerca de 20 g a 40 g por refeição. No entanto, aqui vai um ponto essencial: essa quantidade não se refere ao peso do alimento, mas sim à quantidade de proteína presente nele.

Para facilitar, alguns exemplos ajudam a visualizar melhor. Um filé médio de peito de frango grelhado (cerca de 100 g) fornece aproximadamente 25 g a 30 g de proteína. Já um filé de patinho na mesma porção oferece cerca de 26 g. Enquanto isso, um ovo grande contém, em média, 6 g de proteína.
Ou seja, atingir a proteína diária recomendada pode ser mais simples do que parece. Por exemplo, dois ovos no café da manhã, um filé de frango no almoço e uma porção de leguminosas no jantar já contribuem significativamente para um bom consumo de proteína, sem depender exclusivamente de produtos proteicos.
Uma alimentação saudável vai muito além desse nutriente. Carboidratos de qualidade, gorduras boas, fibras, vitaminas e minerais também desempenham papéis fundamentais. Dessa maneira, focar apenas na proteína pode limitar os benefícios da dieta.
Por fim, vale priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como ovos, carnes, feijões, lentilha e laticínios. Já os produtos proteicos devem funcionar como complemento, e não como base da alimentação.
Resumo: O consumo de proteína cresce no Brasil, impulsionado pelas redes sociais e pelo mercado fitness. No entanto, especialistas alertam que a quantidade ideal varia conforme o perfil. Mais do que focar em proteína diária, o segredo está no equilíbrio alimentar.
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