Após a vitória da Noruega sobre o Brasil na Copa, o nome de Erling Haaland voltou a dominar as conversas dentro e fora do futebol. Além dos dois gols decisivos, o atacante chamou atenção por um hábito que já vinha despertando curiosidade: a dieta ancestral, estilo alimentar que ele adotou e ajudou a popularizar.
A pergunta que ficou foi direta: o DNA ajuda a explicar esse desempenho? Segundo especialistas, a alimentação pode influenciar a expressão dos genes por mecanismos epigenéticos, sem mudar a sequência genética. Nutrientes enviam sinais ao corpo e participam da regulação do metabolismo, da inflamação e da energia.
Mesmo assim, nenhum prato decide uma carreira sozinho. “O desempenho atlético de elite resulta da interação entre predisposição genética, treinamento, nutrição, recuperação e outros fatores ambientais. A alimentação potencializa, mas não determina o sucesso esportivo”, explica Alexandre Lucidi, geneticista e mestre em Neurologia.
Como a dieta ancestral age no DNA?
A dieta ancestral parte da ideia de que o corpo humano ainda carrega mecanismos metabólicos moldados na evolução. Por isso, alimentos densos em nutrientes, como carnes, ovos, peixes e vísceras, podem atender a demandas importantes do organismo.
Lucidi explica que ácidos graxos, vitaminas e minerais atuam como sinais moleculares. Eles influenciam energia, homeostase e inflamação. Porém, o especialista faz uma ressalva: a ciência não sustenta que óleos vegetais refinados sejam, sozinhos, sempre pró-inflamatórios.
O maior vilão, segundo a maior parte dos estudos citados, aparece no excesso de ultraprocessados. Esses produtos reúnem alta densidade energética, baixa oferta de compostos bioativos e impacto negativo sobre a microbiota intestinal.

O que Haaland come na dieta animal-based?
A rotina do craque ficou conhecida pelo consumo de coração de boi, fígado, ovos, peixes, leite e mel. Essa estratégia se aproxima da animal-based, abordagem que reduz ou retira vegetais, fibras e carboidratos vegetais, ao contrário da low carb e da paleo clássica.
Luís Guilhermo, nutricionista funcional integrativo e esportivo, explica que a diferença está no grau de restrição vegetal. A low carb reduz carboidratos, mas mantém vegetais e frutas. A paleo corta ultraprocessados e grãos, mas preserva tubérculos, frutas e castanhas. Já a animal-based aposta quase totalmente em alimentos de origem animal.
As vísceras explicam parte do interesse. O fígado concentra vitamina A, B12, folato, ferro heme e cobre. O coração oferece coenzima Q10, taurina, ferro e selênio. Esses nutrientes participam da produção de energia celular, do transporte de oxigênio e da recuperação.
Dieta ancestral é segura para quem não é atleta?
Para o público geral, os especialistas recomendam cautela. A dieta ancestral pode fazer sentido em contextos específicos, com exames, acompanhamento e alto gasto calórico. Porém, copiar um atleta sem orientação aumenta o risco de deficiência de fibras, vitamina C, folato e diversidade da microbiota.
O leite cru exige alerta extra. No Brasil, a venda de leite cru para consumo direto é proibida, e especialistas citam riscos como brucelose e salmonelose. A pasteurização causa pequena perda nutricional, o que torna a vantagem do leite cru questionável.
Rodrigo Castelo Branco, ortopedista, reforça que proteínas de alto valor biológico ajudam no reparo muscular e na adaptação dos tendões. Ainda assim, alimento nenhum regenera cartilagem sozinho. Sono, carga de treino e estímulo mecânico também entram na conta.
Resumo: A dieta ancestral de Haaland combina vísceras, leite, mel e alimentos de origem animal. Especialistas explicam que nutrientes podem influenciar a expressão dos genes, mas não determinam performance sozinhos. A rotina do atleta envolve treino intenso, exames e acompanhamento profissional. Leite cru e restrição alimentar exigem cautela, principalmente fora do esporte de elite.
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