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Você dorme a noite inteira e ainda acorda cansado? O ronco pode ser o motivo

Dra. Maura Neves Por Dra. Maura Neves
23/06/2026
Em Coluna Dra. Maura Neves
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Olá!

Você já teve a sensação de dormir a noite inteira e, ainda assim, acordar cansado, sem energia e com a impressão de que não descansou de verdade?

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Essa é uma queixa muito comum no consultório e, em muitos casos, vem acompanhada de outro sintoma bastante frequente: o ronco.

Embora muita gente enxergue o ronco apenas como um incômodo para quem divide o quarto, ele pode ser um sinal de que a qualidade do sono está comprometida.

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O ronco acontece quando o ar encontra dificuldade para passar pelas vias respiratórias durante o sono. Isso provoca a vibração dos tecidos da garganta, produzindo o som característico. Em algumas pessoas, porém, o ronco é apenas a parte mais visível de um problema maior.

Quando o ronco merece atenção?

Nem todo mundo que ronca tem um problema de saúde. Ainda assim, alguns sinais indicam que vale a pena investigar:

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• acordar cansado mesmo após uma noite inteira de sono;

• sonolência excessiva durante o dia;

• dificuldade de concentração;

• falhas de memória recente;

• irritabilidade;

• dor de cabeça ao despertar;

• sensação de sono não reparador;

• despertares frequentes durante a noite;

• pausas na respiração observadas por quem dorme ao lado.

Esses sintomas podem estar relacionados à Apneia Obstrutiva do Sono, condição em que a respiração sofre interrupções repetidas ao longo da noite.

Muitas vezes, a própria pessoa não percebe o que está acontecendo. É comum que o parceiro ou algum familiar observe episódios de engasgos, sufocação ou pausas respiratórias durante o sono.

O nariz também pode influenciar

Quando pensamos em ronco, geralmente associamos o problema apenas à garganta. Mas o nariz tem um papel fundamental na qualidade da respiração durante a noite.

Algumas alterações que podem contribuir para o ronco são:

• desvio de septo;

• aumento dos cornetos nasais;

• rinite alérgica;

• pólipos nasais;

• sinusite crônica.

Quando o nariz permanece obstruído, o fluxo de ar fica prejudicado e o organismo precisa fazer mais esforço para respirar durante o sono, favorecendo o aparecimento ou a piora do ronco.

Quais são os riscos?

Dormir mal vai muito além do cansaço.

Pessoas com apneia do sono apresentam maior risco de desenvolver hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, arritmias cardíacas, diabetes e até acidentes relacionados à sonolência excessiva.

Além disso, a qualidade de vida costuma ser diretamente afetada. Falta de disposição, alterações de humor, dificuldade de concentração e queda de produtividade são queixas frequentes.

Como é feita a investigação?

O primeiro passo é uma avaliação médica detalhada, acompanhada de exame otorrinolaringológico para identificar possíveis alterações no nariz e nas vias respiratórias superiores.

Dependendo de cada caso, pode ser indicada a polissonografia, exame que monitora diversos parâmetros durante o sono, como respiração, oxigenação e ocorrência de pausas respiratórias.

Existe tratamento?

Sim. O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro.

Entre as opções estão:

• controle da rinite e da obstrução nasal;

• perda de peso, quando indicada;

• mudanças de hábitos relacionadas ao sono;

• aparelhos intraorais em casos selecionados;

• uso de CPAP para pacientes com apneia;

• cirurgia, quando existem alterações anatômicas que contribuem para a obstrução das vias respiratórias.

O mais importante é entender que acordar cansado todos os dias não deve ser encarado como algo normal. Muitas vezes, o problema não está na quantidade de horas dormidas, mas na qualidade desse sono.

Se você ronca com frequência, acorda sem disposição ou já ouviu de alguém que para de respirar durante a noite, procure uma avaliação especializada. Identificar a causa pode trazer benefícios não apenas para o sono, mas para a saúde e o bem-estar a longo prazo.

Tags: otorrinoroncosonosono de qualidade
Dra. Maura Neves

Dra. Maura Neves

Maura Neves, (@dra.mauraneves) é médica otorrinolaringologista, com formação e doutorado pela USP. Em AnaMaria, escreve sobre saúde, mas além da medicina, é apaixonada por corrida de rua, que a inspira a buscar equilíbrio e energia no dia a dia.

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