O cyberbullying deixou de ser um problema pontual e passou a ocupar o centro das discussões sobre segurança infantil. Nos últimos anos, educadores e especialistas têm intensificado o debate; no entanto, os dados mais recentes mostram que o cenário ainda preocupa.
De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas, dois terços das crianças acreditam que o cyberbullying está aumentando. Além disso, metade delas afirma não saber como buscar apoio quando enfrenta situações de violência online. Esse dado revela, sobretudo, um vazio preocupante na rede de proteção.
A pesquisa ouviu mais de 30 mil crianças em diferentes países e trouxe um alerta importante: atualmente, um terço dos usuários de internet tem menos de 18 anos. Ou seja, o ambiente digital, cada vez mais presente na rotina, também se tornou um espaço de risco.
Cyberbullying na era da inteligência artificial
O avanço da tecnologia trouxe novos desafios. Segundo a ONU, o uso de inteligência artificial, especialmente os chamados deepfakes, tem transformado a forma como o bullying online acontece. Agora, os ataques se tornam mais rápidos, direcionados e difíceis de identificar.
Esse tipo de conteúdo também tem potencial para se espalhar em grande escala e em diferentes plataformas. Como resultado, a vítima enfrenta uma exposição ainda maior, o que intensifica os impactos emocionais. Por isso, especialistas reforçam que o combate ao cyberbullying precisa acompanhar essa evolução tecnológica.

Medo e silêncio dificultam denúncias
Outro ponto que chama atenção é o silêncio das vítimas. Muitas crianças evitam denunciar casos de bullying online por medo de julgamento ou rejeição. Em outras palavras, elas se sentem inseguras tanto em relação aos colegas quanto aos adultos.
Segundo Najat Maalla M’jid, representante especial da ONU sobre violência contra crianças, o cenário atual exige atenção urgente. Isso porque, enquanto o problema cresce, o apoio ainda não chega na mesma velocidade.
Além disso, o estigma em torno do tema contribui para que muitas situações permaneçam invisíveis. Consequentemente, o ciclo de violência continua.
Combate ao bullying online exige ação coletiva
Diante desse cenário, a ONU reforça que o enfrentamento do cyberbullying depende de uma ação conjunta. Governos, empresas de tecnologia, escolas, famílias e os próprios jovens precisam participar ativamente dessa transformação.
Uma das falas mais marcantes do relatório veio de uma criança ouvida na pesquisa. Ela destacou que os espaços digitais não devem apenas registrar denúncias, mas oferecer soluções rápidas e seguras. Ou seja, é fundamental criar ambientes mais humanos e acolhedores.
Resumo: O cyberbullying cresce globalmente, impulsionado pela inteligência artificial e novas tecnologias. Crianças enfrentam dificuldades para buscar ajuda e temem julgamentos. Especialistas alertam que o combate exige ação coletiva e ambientes digitais mais seguros e humanos.
Leia também:
Um em cada quatro adolescentes sofre bullying na América Latina
