Quando assisto a um filme que não me agrada, costumo fazer o exercício de lembrar que toda obra encontra seu público. Penso: “certo, eu não gostei, mas certamente algumas pessoas vão gostar”. Faz parte. E foi exatamente com esse espírito que comecei A Astronauta, do meu jeito preferido — sem informação prévia sobre elenco, sinopse ou críticas. Apenas o título e a breve descrição do streaming me guiaram. Assim, pelo menos, existe a chance de ser surpreendida, para o bem ou para o mal, e ainda conhecer obras que fogem da minha zona de conforto.
Adoráveis extraterrestres
Dito isso, o sci-fi me incomodou desde os primeiros minutos. Gosto muito do trabalho da Kate Mara, mas confesso que ficou difícil não imaginar a atriz chegando ao set sob a expressão “tem que ir, né… contrato”. O desespero constante da protagonista não me levou para dentro da história; ao contrário, me afastou. Pausas suspiradas, uma neurose exagerada e a falta de informações mínimas para incluir o público na experiência criam uma mistura que torna A Astronauta um longa de construção narrativa genérica e, em alguns momentos, até vaga.

Os efeitos especiais são, no mínimo, questionáveis. Ainda assim, preciso reconhecer: a estética dos extraterrestres me agradou. Gostei da proposta — há ali algo inventivo. A motivação das criaturas também é surpreendente. Esse detalhe, para mim, é a boia salva-vidas do filme.
Tão ruim, que é bom!
Insisti até os últimos minutos. E, no fim, percebi que A Astronauta não é exatamente um filme ruim. A obra certamente se aproxima mais do suspense surrealista do que de uma ficção científica clássica. Essa é uma informação importante para quem for assistir: entrar esperando lógica pode atrapalhar; entrar esperando algo estranho pode ajudar.
Qualquer explicação mais detalhada pode comprometer a experiência de quem pretende incluir o título na lista do fim de semana, então vou ficando por aqui. O que posso dizer é que o filme vale pela fofura dos ETs coloridos e pelo plot final, que dá alguma recompensa à insistência do espectador. Disponível no Prime Video.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1503, de 9 de janeiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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