A volta às aulas já é, tradicionalmente, um dos momentos mais desafiadores para o orçamento das famílias brasileiras. Em 2025, esse impacto ficou ainda mais evidente. Enquanto a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, acumulou alta de 4,26% no ano, a chamada “cesta de volta às aulas” subiu 5,32%, pressionando os gastos logo nos primeiros meses do ano.
O dado faz parte de um levantamento da Rico, que analisou os principais itens ligados ao início do ano letivo — como material escolar, livros, mensalidades, uniforme e transporte. O estudo foi conduzido por Maria Giulia Figueiredo, responsável pela pesquisa.
“É hora de montar a lista, ajustar o orçamento e lidar com aquele dilema anual: tudo parece estar mais caro”, afirma a especialista, ao explicar que o impacto é sentido de forma concentrada, justamente quando outras despesas típicas de janeiro também chegam.
Educação ficou mais cara que a média da economia
No recorte mais longo, a diferença entre inflação geral e gastos escolares se amplia. Entre 2021 e 2025, a cesta de volta às aulas acumulou alta de 39,34%, enquanto o IPCA subiu 33,13% no mesmo período. Na prática, isso significa que famílias com filhos em idade escolar enfrentam uma pressão maior no custo de vida do que aquela refletida pelo índice médio da economia.
Segundo o levantamento, três fatores explicam esse descompasso: a inflação desigual entre diferentes tipos de consumo, o efeito acumulado dos reajustes ao longo dos anos e a concentração de despesas no calendário de janeiro.
Livros, papelaria e uniforme: reajustes desiguais
Entre os gastos mais imediatos estão papelaria e livros. Em 2025, a papelaria teve alta de 2,39%, abaixo da inflação geral, movimento associado a promoções sazonais e maior concorrência no varejo. No entanto, no acumulado de cinco anos, a categoria já subiu 39,64%.
Os livros mostram comportamentos distintos. O livro didático avançou 4,47% em 2025, praticamente em linha com o IPCA, enquanto o livro não didático subiu 6,32% no ano e acumula expressivos 51,96% desde 2021, reforçando a importância de pesquisar preços, comprar usados e estimular trocas entre famílias.

O uniforme escolar também pesa. Em 2025, o item teve alta de 7,24% e acumula quase 40% de aumento em cinco anos, refletindo o encarecimento de tecidos, mão de obra e custos industriais.
Mensalidades: o maior peso no orçamento
Se o material escolar aperta no curto prazo, as mensalidades são o principal fator de pressão estrutural. Em 2025, o grupo Educação subiu 6,22%, acima da inflação média. No acumulado desde 2021, os aumentos chamam atenção: ensino fundamental (+49,35%) e ensino médio (+47,52%) ficaram muito acima do IPCA.
Uma mensalidade de R$ 1.000 em 2021, por exemplo, hoje estaria próxima de R$ 1.493, apenas considerando os reajustes médios observados no estudo.
Janeiro cheio de contas
Além da escola, outras despesas típicas do início do ano contribuem para a sensação de aperto financeiro, como IPTU, IPVA e gastos com o carro. Embora nem sempre subam acima da inflação, esses boletos chegam todos de uma vez, aumentando o impacto no orçamento familiar.
Como atravessar esse período sem dívidas
Para lidar com esse cenário, o estudo traz orientações de Thaisa Durso, que reforça a importância do planejamento.
“Antes de traçar qualquer plano, é essencial ter clareza sobre a situação financeira real”, afirma. Ela recomenda mapear receitas, despesas fixas e variáveis, além de criar um calendário financeiro para o ano inteiro, e não apenas para janeiro.
A especialista também destaca que a decisão entre pagar à vista ou parcelar deve considerar liquidez e custo de oportunidade. “O planejamento antecipado é fundamental para evitar atrasos, juros altos e o risco de inadimplência”, orienta.
Resumo:
A cesta de volta às aulas subiu 5,32% em 2025 e acumulou alta de 39,34% em cinco anos, acima da inflação oficial. Mensalidades, livros e uniforme estão entre os principais vilões do orçamento no início do ano.
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