A liquidação do Will Bank pegou muitos clientes de surpresa na manhã de quarta-feira (21). Contas bloqueadas, cartões que pararam de funcionar e dúvidas práticas passaram a fazer parte da rotina de quem usava a fintech. No entanto, apesar do susto inicial, algumas regras seguem claras — e ignorá-las pode trazer problemas no futuro.
A seguir, explicamos o que realmente muda e quais cuidados tomar agora. Confira!
Liquidação do Will Bank não cancela dívidas já feitas
Antes de tudo, é preciso entender um ponto central: a liquidação do Will Bank não apaga compromissos financeiros já assumidos. Ou seja, quem tinha fatura aberta ou parcelas no cartão de crédito precisa continuar pagando normalmente.
“O fato de a instituição estar em liquidação não exime o consumidor de cumprir suas obrigações”, explica o advogado Bruno Boris ao IstoÉ Dinheiro. Segundo ele, deixar de pagar pode gerar juros, multas e até negativação do nome, da mesma forma que ocorreria em qualquer outro banco.
Além disso, as compras realizadas continuam válidas. Portanto, atrasar o pagamento não traz vantagem alguma — pelo contrário. Manter a fatura em dia ajuda a evitar transtornos maiores enquanto a situação se resolve.
Quem cobra a fatura após a liquidação?
Com a saída do banco do sistema financeiro, surge outra dúvida comum: quem fará as cobranças agora? Nesse processo, o Banco Central nomeia um liquidante, responsável por administrar os ativos, pagar credores e cobrar dívidas existentes.
No caso do Will Bank, o liquidante é Eduardo Félix Bianchini, ex-servidor do Banco Central, que já atuou em outros processos semelhantes. Assim, as dívidas de cartão passam a integrar a massa de liquidação e continuam sendo cobradas, ainda que por outro responsável.
Portanto, mesmo que o aplicativo não funcione e o cartão esteja bloqueado, o débito permanece ativo. Por isso, é essencial guardar comprovantes, acompanhar comunicados oficiais e evitar decisões precipitadas.

Dinheiro parado, FGC e a espera que exige paciência
Enquanto as dívidas seguem válidas, o dinheiro que estava na conta corrente ou em investimentos não pode ser movimentado neste momento. Nesses casos, entra em cena o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que funciona como um seguro para depositantes.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o conglomerado financeiro. No entanto, o pagamento não é automático. Primeiro, o liquidante precisa enviar a lista de credores; depois, o cliente deve se cadastrar e manifestar interesse pelo aplicativo ou site do FGC. Só então o valor pode ser liberado.
Esse processo costuma levar de 30 a 60 dias, como ocorreu em liquidações recentes. Enquanto isso, especialistas recomendam cautela: evite golpes, acompanhe apenas canais oficiais e registre qualquer tentativa frustrada de saque ou pagamento. Para mais informações, o próprio FGC mantém orientações atualizadas em seu site oficial: https://fgc.org.br.
O que fica de mais importante no fim das contas
Embora o bloqueio das contas cause apreensão, é importante destacar que seus recursos seguem protegidos dentro das regras do FGC. Ao mesmo tempo, as dívidas não desaparecem com a liquidação do Will Bank e precisam ser tratadas com responsabilidade para evitar prejuízos futuros.
Resumo: A liquidação do Will Bank bloqueou contas e cartões, mas não cancelou dívidas já feitas. Faturas devem ser pagas normalmente para evitar juros e negativação. Já o dinheiro em conta será devolvido pelo FGC, dentro do limite de garantia, após um processo que pode levar algumas semanas.
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