Thelma Assis, a vencedora do ‘Big Brother Brasil 20’, comentou sobre o caso do anestesista preso em flagrante por estuprar uma mulher durante o parto.
Em entrevista ao ‘Encontro’, Thelminha, que é médica anestesista, disse que, além do crime cometido por Giovanni Quintella Bezerra, ele ainda cometeu imprudência médica ao dar uma dosagem tão alta de sedativo para a gestante.
Ela explicou qual é a maneira comum de sedar uma mulher na hora do parto e disse que em pouquíssimos casos é utilizada a anestesia geral: “Não é convencional sedar gestante. Além de mantê-la acordada para ter todo aquele momento sublime, especial de recepcionar o bebê, também tem um motivo técnico”.
“Ele cometeu um crime e também cometeu uma imprudência. É por isso que eu espero que o CRM (Conselho Regional de Medicina), mais do que nunca, seja rápido em puni-lo”, expressou Thelma.
A anestesista explicou melhor porque o que Bezerra fez foi também uma falta médica: “Ele estava expondo a paciente ao risco, se ele a sedou sem indicação. A gestante amamenta o bebê logo após o parto, e o sedativo pode interferir na amamentação. Tudo está errado nessa história. Além de todo o crime horrendo, nós temos uma imprudência”.
A ex-BBB comentou sobre a atitude das enfermeiras e das técnicas de enfermagem, a importância que elas têm na equipe do hospital e como é necessário valorizar mais essas profissões.
“Elas precisavam de uma prova. Além das enfermeiras, as técnicas que estavam ali diretamente com a paciente”, falou sobre o caso.
“Técnicos e auxiliares de enfermagem são profissionais que merecem ser muito valorizados. A enfermeira também, porque ela faz toda a gestão do centro cirúrgico. Mas o técnico é o que pega na sua mão, troca a fralda se precisar, então a gente tem que valorizar esses profissionais também. E o médico tem que parar com isso de ‘somos o detentor do conhecimento’. A gente tem que entender o nosso lugar”, opinou.
Thelminha ainda falou um pouco sobre como os anestesiologistas são vistos dentro da medicina, e como este caso piora ainda mais a situação desta especialidade na profissão.
“A nossa especialidade está de luto porque a gente não se sente representado. Na anestesiologia muitas vezes a gente tem que provar que é médico, porque muitas vezes falavam: ‘Anestesista faz um curso técnico?’. É uma subespecialidade de extrema responsabilidade dentro da medicina e agora a gente se depara com um caso desses”, relatou.
A anestesista finalizou dizendo que Giovanni Quintella Bezerra não é médico, e sim um criminoso. “Isso que aconteceu foi uma atrocidade. Esse criminoso não é médico”, começou.
“Ser médico é muito mais do que ser detentor de um conhecimento. Ser médico é você ser empático, é você se colocar no lugar do outro, é ter sensibilidade, solidariedade. Ele é portador de um CRM, que eu espero que ele perca o quanto antes, e isso é um consenso entre todos os colegas”, finalizou.