Nos últimos anos, muitos brasileiros têm se deparado com uma situação incômoda: atender o celular e não ouvir nada do outro lado da linha. Essas chamadas, que terminam abruptamente, são conhecidas como robocalls. Elas são geradas por sistemas automatizados que fazem ligações em massa, utilizando números aleatórios, com o objetivo de verificar quais linhas estão ativas.
As robocalls não têm a intenção de iniciar uma conversa, mas sim de identificar números que atendem chamadas. Isso permite que empresas de telemarketing otimizem seus recursos, direcionando atendentes humanos apenas para chamadas que foram efetivamente atendidas. Essa prática, embora inconveniente, é uma estratégia para aumentar a eficiência dos call centers.
Por que as robocalls são realizadas?
As robocalls são uma ferramenta utilizada por empresas de telesserviços para automatizar o processo de discagem. O sistema realiza múltiplas chamadas simultaneamente, na esperança de que algumas sejam atendidas. Quando isso acontece, a ligação geralmente cai, pois não há um atendente disponível para interagir com o usuário.
Além de identificar números ativos, essa prática ajuda a economizar tempo, já que elimina a necessidade de discagem manual. Assim, os operadores entram em ação apenas quando uma chamada é atendida, aumentando a produtividade dos call centers. No entanto, essa prática tem gerado insatisfação entre os usuários, que se sentem incomodados com o volume de chamadas não solicitadas.
As robocalls são consideradas abusivas?
De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o envio em massa de mensagens de texto e chamadas não é necessariamente abusivo. Isso porque o recurso pode ser utilizado para fins legítimos, como alertas de emergência. Contudo, o telemarketing excessivo pode ser classificado como abusivo quando o volume de ligações excede a capacidade humana de discagem.
Desde 2024, a Anatel estabeleceu que chamadas encerradas em menos de seis segundos são consideradas abusivas. Antes dessa mudança, o limite era de três segundos. Essa medida visa proteger os consumidores de práticas invasivas e garantir que as empresas respeitem os limites estabelecidos.
Como os usuários podem se proteger das robocalls?
Para se proteger das robocalls, os usuários podem utilizar o portal “Não Me Perturbe”, desenvolvido pela Anatel. Este serviço permite que os consumidores bloqueiem chamadas de telemarketing de empresas cadastradas. No entanto, o sistema não é infalível, pois algumas empresas conseguem burlar os filtros de proteção.
Além disso, é recomendável que os usuários evitem atender chamadas de números desconhecidos e utilizem aplicativos de bloqueio de chamadas, que podem identificar e bloquear números suspeitos. Essas medidas ajudam a reduzir o incômodo causado pelas robocalls e a proteger a privacidade dos usuários.
O que o futuro reserva para as robocalls no Brasil?
Com o avanço da tecnologia e a crescente insatisfação dos consumidores, espera-se que as regulamentações sobre robocalls se tornem mais rígidas no Brasil. A Anatel e outras autoridades estão trabalhando para encontrar um equilíbrio entre a eficiência das empresas de telemarketing e a proteção dos direitos dos consumidores.
É provável que novas tecnologias e soluções sejam desenvolvidas para combater as robocalls de forma mais eficaz. Enquanto isso, os consumidores devem permanecer vigilantes e utilizar as ferramentas disponíveis para minimizar o impacto dessas chamadas indesejadas em suas vidas diárias.