A história de Dona Beja atravessou décadas como sinônimo de ousadia, escândalo e ruptura de costumes. Agora, a personagem retorna em um novo formato e em outro contexto histórico, desta vez pelas mãos do streaming. À frente da releitura, Grazi Massafera adianta que o público não deve esperar uma simples atualização do clássico exibido nos anos 1980, mas uma obra que dialoga diretamente com questões sociais ainda sensíveis.
Durante um encontro com jornalistas em São Paulo, a atriz falou abertamente sobre a proposta da produção e deixou claro que a nova Dona Beja foi pensada para incomodar. Segundo ela, o texto aposta em conflitos que continuam atuais e que devem provocar reações intensas, especialmente entre espectadores mais conservadores.
Uma releitura, não um remake
Grazi faz questão de diferenciar a nova produção da versão exibida pela extinta TV Manchete. Para ela, o projeto não se limita a revisitar a narrativa original, mas propõe outra leitura da personagem e de seu tempo.
A atriz explica que o texto aposta em poesia, densidade dramática e questionamentos sociais. A intenção é olhar para Dona Beja como uma mulher atravessada por violências, julgamentos e escolhas difíceis, sem suavizar os conflitos que cercam sua trajetória. Nesse sentido, a obra busca menos nostalgia e mais provocação.

Uma personagem que tensiona valores
Segundo Grazi, a nova versão da protagonista deve gerar incômodo justamente por tocar em temas que ainda dividem opiniões. A atriz afirma que a trama não evita assuntos espinhosos e que o desconforto faz parte da proposta narrativa.
Para ela, a personagem funciona como um espelho de contradições sociais que permanecem vivas. A leitura contemporânea reforça esse aspecto, reposicionando Dona Beja como uma mulher que enfrenta estruturas morais rígidas e paga um preço alto por não se encaixar nelas.
Processo intenso de construção
Com 40 capítulos gravados ao longo de seis meses, a novela marcou um momento importante na trajetória profissional da atriz. Grazi relata que o trabalho exigiu entrega constante e aprofundamento emocional.
Ao longo das gravações, ela sentiu que passou a se fundir com a personagem, num processo de construção que descreve como um dos mais intensos da carreira. A experiência, segundo ela, representou um avanço artístico e pessoal.
A sombra da versão original, protagonizada por Maitê Proença, é inevitável. Grazi reconhece a importância da antecessora na consolidação do mito de Dona Beja na cultura brasileira e afirma que não há como dissociar a personagem dessa interpretação.
As duas chegaram a conversar durante o desenvolvimento do projeto, e o encontro ajudou a reforçar o respeito pela trajetória da obra. Para Grazi, Maitê transformou Dona Beja em um ícone e permanece como referência incontornável.
Uma aposta do streaming em narrativas longas
A nova Dona Beja integra a estratégia da HBO Max de investir em produções de fôlego inspiradas na tradição da telenovela brasileira, mas com linguagem pensada para o streaming. Ambientada no século XIX, a trama revisita a trajetória de Ana Jacinta de São José, mulher que desafiou convenções sociais e construiu autonomia em um contexto profundamente conservador.
A expectativa agora gira em torno da recepção do público e da forma como a série irá equilibrar fidelidade histórica, atualização narrativa e impacto contemporâneo.
Resumo:
Grazi Massafera afirma que a nova versão de Dona Beja aposta em uma leitura provocadora e atual da personagem, com conflitos sociais que ainda ecoam no presente. A atriz diz que a trama não busca agradar a todos e deve causar desconforto ao tocar em valores morais conservadores.
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