O Globo de Ouro costuma antecipar tendências e destacar grandes nomes do cinema mundial. No entanto, quando um filme dirigido por uma mulher vence a principal categoria de drama, o feito ganha um significado maior. Dessa vez, Hamnet levou o prêmio e colocou novamente o talento feminino no centro da conversa. A conquista chamou atenção não só pelo resultado, mas pelo contexto histórico que a envolve.
Chloé Zhao, diretora do longa, já é conhecida por um cinema sensível e atento às margens. Portanto, sua vitória dialoga com uma trajetória autoral consistente, construída longe dos excessos e mais próxima da emoção contida. Ainda assim, o prêmio levanta uma pergunta incômoda: por que esse tipo de reconhecimento ainda é tão raro?
Hamnet e a força das narrativas íntimas
Hamnet se destaca por abordar o luto e as relações familiares com delicadeza. Zhao conduz a história com olhar humanista, valorizando silêncios e gestos simples. Por outro lado, o filme também conversa com o público justamente por tratar de sentimentos universais — aqueles que atravessam fases da vida e falam direto ao coração.
Enquanto isso, a recepção positiva da crítica reforça que histórias conduzidas por mulheres não formam um “gênero” à parte. Pelo contrário: elas ampliam o repertório do cinema e oferecem novas perspectivas. Assim, o sucesso de Hamnet mostra que há espaço — e público — para essas narrativas.
Globo de Ouro e a trajetória de Chloé Zhao
Essa não é a primeira vez que Zhao faz história no Globo de Ouro. Em 2021, ela venceu com Nomadland e se tornou referência para uma nova geração de cineastas. Agora, com Hamnet, consolida seu nome entre os mais relevantes do cinema atual. Além disso, sua carreira desafia padrões estéticos e industriais de Hollywood, sem abrir mão da autoria.
No entanto, mesmo com vitórias expressivas, Zhao segue como exceção. Portanto, seu sucesso individual não apaga a desigualdade estrutural presente na indústria.

O cenário das mulheres no cinema hoje
Dados da USC Annenberg mostram que mulheres dirigem menos de 15% dos filmes de grande circulação em Hollywood. Ou seja, o problema não está na falta de talento, mas no acesso às oportunidades.
Assim, cada prêmio conquistado por uma mulher carrega também um peso simbólico. Ele inspira, abre portas e fortalece o debate sobre representatividade. No entanto, mudanças reais exigem continuidade.
O dado que explica por que Hamnet fez história
Em 83 anos de Globo de Ouro, apenas três filmes dirigidos por mulheres venceram a categoria de melhor drama. Antes de Hamnet, apenas Jane Campion e a própria Chloé Zhao haviam alcançado esse feito. Portanto, mais do que um troféu, essa vitória escancara o quanto a igualdade ainda caminha devagar.
Resumo: Hamnet venceu o Globo de Ouro e reforçou o talento de Chloé Zhao. A conquista celebra o cinema feito por mulheres, mas também expõe desigualdades. Os números mostram que o reconhecimento feminino ainda é raro. E transformá-lo em regra segue como um desafio urgente.
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