Nos primeiros 40 segundos de tela, um choque. Choque mesmo. Quem acompanha os ícones pop mais badalados de Hollywood sabe que fama também cria conspirações. E Paris Hilton sempre teve as suas. Talvez a mais conhecida seja a persona que ela mesma apresentou ao mundo: a voz aguda, o tom anasalado, a “party girl” cuidadosamente encenada. Sempre soube que havia alguém real por trás daquela imagem, mas confesso que a curiosidade não foi suficiente para querer conhecê-la.
Foi com a promessa de apresentar a mulher real que Infinite Icon: Uma Memória Visual chegou aos cinemas brasileiros em 29 de janeiro, com distribuição da Sato Company. O filme se constrói como um memorial audiovisual guiado pela música, misturando documentário e arquivos pessoais para acompanhar Paris em um momento-chave de sua trajetória artística: o retorno ao pop.
A mulher por trás do ícone
Em seus momentos mais honestos, o documentário permite que Paris reflita sobre a violência dos julgamentos públicos. O longa atravessa anos de traumas, abrindo espaço para feridas que moldaram sua imagem pública: os abusos sofridos na adolescência em internatos ligados ao chamado troubled teen treatment, o vazamento da sextape e os impactos de crescer sob os holofotes de uma cultura de celebridades especialmente cruel com mulheres nos anos 2000.
Aos 19 anos, Paris teve sua sexualidade usada contra ela. Ao mesmo tempo, a indústria ajudou a fabricar (e a punir) a personagem que o público consumiu sem questionar.
“Espera, Paris Hilton está cantando?”
Em Infinite Icon, fica claro que o filme funciona como estratégia de divulgação de seu segundo álbum. É aqui que a promessa de experiência visual começa a me perder. Bons efeitos gráficos, montagem eficiente e registros de shows ajudam a sustentar a imagem de diva pop que Paris quer reafirmar. Mas esse combo não me compra.
O documentário sofre com repetições. Em outros contextos, insistir nos mesmos pontos pode reforçar identidade. Aqui, alguns trechos poderiam ser mais econômicos. A costura constante entre a história pessoal e os momentos de palco nem sempre aprofunda a reflexão e acaba caindo em um looping insistente.
No fim, Infinite Icon é mais potente quando se permite ser vulnerável do que quando tenta ser grandioso – e escorrega na própria cafonice cor-de-rosa.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1507, de 6 de fevereiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.





