Tenho algumas séries de apego. Elas não são exatamente “séries conforto”, daquelas para assistir depois de um dia difícil ou quando tudo o que queremos é assistir algo previsível. São séries que me conquistaram pela genialidade. Duas delas, não por acaso, nasceram da mente de Vince Gilligan: Breaking Bad e Better Call Saul. Desde o fim de Better Call Saul, eu sentia falta desse tipo muito específico de narrativa – não por pertencer ao mesmo universo, mas por carregar o mesmo DNA e dividir a mesma geografia: uma Albuquerque árida, sarcástica, em tons de bege e laranja.
É nesse vazio que Pluribus entra. Uma ficção científica pós-apocalíptica que já adianto: entrou direto para o meu top 10 de séries favoritas. O título vem do latim e significa “muitos”, definição perfeita para um mundo que, de repente, se torna radiante demais. Um vírus misterioso transforma quase toda a humanidade em criaturas permanentemente serenas, conectadas por uma consciência única, otimista e perigosamente pacífica.
Fora do uníssono
No centro desse cenário está Carol Sturka, interpretada pela impecável Rhea Seehorn. Uma das poucas imunes à tal “euforia contagiosa”, Carol é cínica, solitária e um tanto ranzinza. Enquanto o mundo parece sorrir em uníssono, ela observa o colapso escondido sob essa camada de felicidade compulsória e tenta entender se salvar o planeta é sua responsabilidade ou seu castigo.

Ao longo dos episódios, Carol constrói um verdadeiro dossiê sobre o vírus. Aos poucos, se infiltra em seus segredos e tenta descobrir se ainda existe uma saída – para o mundo e para si mesma. O elenco funciona como um corpo único, afinado, transmitindo com precisão o clima dessa contaminação emocional coletiva.
Uma distopia que confia no espectador
A fotografia quase excêntrica cria uma estranheza doce, que mantém o espectador conectado à trama. Mas talvez o maior mérito de Pluribus seja não subestimar quem está do outro lado da tela. Não há explicações redundantes nem diálogos didáticos. É uma série complexa, mas cuidadosamente orquestrada, sem pontas soltas. Coerente com a própria narrativa.
Por tudo isso, Pluribus é uma das surpresas mais gratas do audiovisual de 2025. Quem, como eu, se apaixonou pela série, vai precisar de paciência: a próxima temporada deve demorar a chegar, segundo os criadores. Mas, se depender do que já foi entregue até aqui, a espera vai valer a pena.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1504, de 16 de janeiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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