Quem nunca se divertiu com memes mostrando cães e tutores quase idênticos? Pois a ciência confirma: quanto mais tempo passamos juntos, mais parecidos nos tornamos dos nossos animais de estimação – seja no jeito, no humor e até na forma física.
Segundo a psicoterapeuta e pesquisadora Renata Roma, da University of Saskatchewan (Canadá), existe um fenômeno chamado co-regulação emocional que explica isso. “Com o tempo, tutores e animais vão regulando suas emoções mutuamente, e a tendência é que essa dupla se torne cada vez mais parecida”, explica. Essa sintonia também pode ocorrer com gatos, mas a maior parte dos estudos foi feita com cães.
Em sintonia
Pesquisas recentes mostram que cães e donos compartilham traços de personalidade como extroversão, ansiedade e impulsividade. Pessoas mais sociáveis tendem a escolher cães agitados e brincalhões, enquanto tutores ansiosos ou estressados acabam convivendo com pets igualmente tensos. Essa influência é de mão dupla: o cão aprende com o tutor, mas também ajuda a moldar o comportamento do dono.
Até a saúde pode entrar nessa conta. Estudos publicados em revistas científicas como Personality and Individual Differences e PubMed Central apontam que o IMC dos tutores tem relação direta com o peso dos cães. Donos com sobrepeso têm três vezes mais chance de ter pets obesos, já que hábitos de sedentarismo e excesso alimentar acabam sendo compartilhados no dia a dia.
Como acontece essa troca?
Esse espelhamento acontece de forma prática: tom de voz, rotina, nível de atividade física e até o sono do tutor influenciam o comportamento do pet. Um tutor mais paciente transmite calma ao cão; já alguém mais ansioso pode deixá-lo em alerta constante. Não por acaso, pesquisas já mostraram que até o nível de cortisol (hormônio do estresse) dos donos pode se refletir nos cães.
Além disso, a escolha do pet também não é totalmente aleatória. Há evidências de que, inconscientemente, tendemos a escolher cães com características físicas ou de comportamento que lembram as nossas. Mulheres de cabelos longos, por exemplo, mostraram preferência por cães de orelhas compridas, enquanto as de cabelo curto se inclinam por raças de orelhas pequenas.
A importância disso para adoções conscientes
Entender essa similaridade pode ser útil para adoções mais conscientes. Quando tutores sabem que seus hábitos e estilo de vida podem impactar o pet (e vice-versa), há mais chance de criar um vínculo duradouro e saudável. Isso reduz devoluções e abandonos, problemas comuns em processos de adoção.

Ainda assim, especialistas reforçam que nenhum relacionamento é isento de conflitos. O segredo está em ter empatia e paciência, entendendo que tanto humanos quanto animais precisam de tempo para se adaptar.
Como transformar essa semelhança em algo positivo
Se cães e tutores tendem a ficar parecidos, nada melhor do que usar essa conexão a favor da saúde e da qualidade de vida de ambos. Veja algumas formas:
- Pratiquem exercícios juntos – caminhadas, corridas leves ou até jogos de bola aumentam o gasto de energia, ajudam a controlar o peso e reduzem a ansiedade de cães e humanos.
- Mantenham uma rotina equilibrada – horários regulares para refeições, sono e passeios transmitem segurança ao animal e também organizam o dia do tutor.
- Cuide da alimentação – evite excesso de petiscos e comidas fora de hora. Bons hábitos à mesa inspiram escolhas melhores para o pet e para o tutor.
- Invista em momentos de relaxamento – técnicas de respiração, brincadeiras tranquilas e ambientes silenciosos ajudam a reduzir o estresse dos dois lados.
- Estimule a socialização – cães aprendem a lidar melhor com pessoas e outros animais, e tutores aproveitam para ampliar laços sociais.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1502, de 2 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








