O início de 2026 trouxe dias difíceis para o abrigo Toda Vida Importa, localizado em Vargem Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro. Durante as celebrações de Réveillon, o barulho intenso dos fogos de artifício afetou diretamente a rotina e a saúde dos animais resgatados pela ONG. O cachorro Duque, de 14 anos, morreu após sofrer um forte estresse causado pelo som das explosões.
Além disso, outros animais apresentaram quadros graves. Segundo a jornalista Ana Paula Silva de Alcântara Lima, responsável pelo abrigo, vários cães convulsionaram e dois tiveram morte súbita. O impacto sonoro desencadeou reações físicas severas, especialmente em animais idosos ou com doenças pré-existentes.
“Toda vez que há queima de fogos é um absurdo, a gente sofre muito e os animais também”, contou em entrevista ao Terra.
Como o barulho dos fogos de artifício afeta cães e gatos
Embora muitas pessoas encarem os fogos como parte da festa, os animais vivem essa experiência de forma completamente diferente. Isso acontece porque cães e gatos possuem audição muito mais sensível. Assim, o som alto e inesperado causa pânico, desorientação e aumento abrupto do estresse.
De acordo com Ana Paula, animais resgatados chegam ao abrigo com muitos problemas de saúde e o barulho dos fogos tende a piorar essas condições. “Muitos deles acabam convulsionando, e os que têm problemas de coração acabam infartando por causa dos fogos. O susto do barulho também faz com que os animais briguem entre si”, explicou.
Animais resgatados sofrem ainda mais com os fogos
Atualmente, o abrigo cuida de cerca de 550 cães e 400 gatos, muitos deles vítimas de abandono e maus-tratos. Por isso, esses animais já chegam fragilizados emocionalmente. Nesse sentido, o barulho dos fogos de artifício intensifica traumas anteriores.
A pitbull Luma, que possui problemas neurológicos, e os cães Peteleco e Apolo estão entre os mais afetados após a virada do ano. Segundo a responsável pela ONG, esses animais demandam cuidados constantes, porém o ambiente externo dificulta a recuperação.
Apesar da existência de leis que proíbem fogos barulhentos em algumas cidades, a fiscalização ainda falha. Como resultado, o problema se repete ano após ano. Ana Paula afirma que o poder público transfere a responsabilidade integral para as ONGs, que atuam de forma voluntária e com recursos próprios.
Além disso, o abrigo não recebe apoio governamental. Em casos de atropelamento em vias públicas, por exemplo, o município deveria recolher e tratar o animal. No entanto, isso raramente acontece. Dessa forma, as ONGs assumem uma função que deveria ser compartilhada com o Estado.
Ana Paula planeja transferir o abrigo para um sítio em Pedra de Guaratiba. Até agora, cerca de 350 cães já foram levados para o novo espaço. No entanto, a ONG ainda precisa construir estruturas adequadas para separar os animais e garantir mais segurança.
Vale lembrar que, além do barulho, o abrigo já enfrentou episódios graves, como envenenamento de animais por vizinhos, o que resultou em dezenas de mortes ao longo do ano passado.
Resumo: O caso do abrigo Toda Vida Importa mostra que os fogos de artifício representam um risco real para a vida de pets. O barulho intenso pode causar convulsões, infartos e mortes súbitas. Além disso, a falta de fiscalização e apoio público agrava a situação das ONGs, que seguem lutando para proteger animais vulneráveis.
Leia também:
Como proteger os pets do barulho dos fogos de artifício?








