O Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2025 evidencia um avanço desigual da epidemia no país, com maior concentração de novos casos entre pessoas negras.
Em 2024, 59,7% das novas infecções foram registradas em pretos e pardos, sendo 11,6% em pessoas pretas e 48,1% em pardas — enquanto entre pessoas brancas o percentual caiu para 36,8%. O recorte de gênero aprofunda a desigualdade: entre as mulheres, 62,9% dos casos ocorreram na população negra, frente a 33,9% entre mulheres brancas.
Pesquisadores apontam que esse cenário está diretamente ligado a fatores estruturais. Barreiras de acesso à testagem, prevenção e tratamento, condições socioeconômicas desfavoráveis e o racismo estrutural atuam como determinantes sociais da saúde.
Dados do Índice de Estigma 2025 mostram que cerca de 50% das pessoas vivendo com HIV no Brasil já sofreram algum tipo de discriminação, inclusive em ambientes familiares e serviços de saúde.
A interseção entre raça, gênero e classe social agrava ainda mais o risco, especialmente para mulheres negras de baixa renda, que enfrentam maior vulnerabilidade social e obstáculos adicionais no acesso ao cuidado. Vale lembrar que ignorar o recorte racial compromete a eficácia das políticas públicas de enfrentamento ao HIV. Direcionar ações e recursos para os grupos mais afetados é considerado essencial para reduzir novas infecções e promover maior equidade no sistema de saúde.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1503, de 9 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








