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Exclusivas / Entrevista

"Ser pai é uma graça concedida", diz Edson Celulari aos falar dos filhos

Em entrevista com a esposa, Karin Roepke, Edson Celulari fala sobre paternidade e sobre como é criar uma criança no mundo atual

Karla Precioso

por Karla Precioso

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Publicado em 25/11/2023, às 08h00

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Edson Celulari e Karin Roepke são pais de Chiara, de 1 ano. - @pamelamirandafoto
Edson Celulari e Karin Roepke são pais de Chiara, de 1 ano. - @pamelamirandafoto

Pai de Enzo, 26, e Sophia, 20, ambos do relacionamento com Claudia Raia, Edson Celulari (re) vive um momento único: experimentar as descobertas e os aprendizados da paternidade. Ele e a atriz Karin Roepke estão juntos desde 2011 e, dessa relação, nasceu Chiara, de 1 aninho: “Ser pai é uma graça concedida que devemos aproveitar ao máximo, em qualquer idade. Tem a ver com um mundo melhor, com pessoas melhores. Aos 64 anos, você adquire mais equilíbrio e isso é maravilhoso para o papel de pai”.

A esposa completa: “Quando nasce um filho, nasce uma mãe. Até a Chiara nascer, eu nunca tinha ocupado esse lugar de topo da pirâmide familiar. Sinto que mudei de hierarquia e isso tem um peso, uma nova responsabilidade. A vida muda de uma forma tão profunda e avassaladora, que até hoje eu
estou tentando me encontrar nessa nova identidade. Ao mesmo tempo, chega esse amor puro, protetor, instintivo. Um beijinho que ganho dela acaba com qualquer dúvida eme faz entrar num pote de afeto e carinho”.

Em entrevista à Revista AnaMaria, o casal divide conosco as lições de uma relação baseada em respeito, cumplicidade e muito amor, e a emoção de ver a vida se renovar com o nascimento da filha.

Como é ser pai novamente aos 64 anos?

Ser pai é uma graça concedida que devemos aproveitar ao máximo, em qualquer idade. Tem a ver com
um mundo melhor, com pessoas melhores. Aos 64 anos, você adquire mais equilíbrio e isso é maravilhoso para o papel de pai. Mas lembrando que cada filho exige um olhar particular e específico.

Aliás, o que melhora e o que piora depois dos 60?

Tenho um amigo que brinca dizendo: “Depois dos 60, você acorda, põe os pés no chão e, se não sente
nenhuma dor, é porque você está morto!” [risos]. Claro que não é bem assim, eu ainda não sinto as dores da idade porque me cuido bastante, e isso se resume basicamente em atividade física e alimentação balanceada. Mas também estou aprendendo a lidar com a energia de um homem da minha idade, aceitando com curiosidade e orgulho meus cabelos brancos e rugas.

A experiência da paternidade com seus outros dois filhos agrega na criação da Chiara?

Claro que a experiência te dá conhecimento e isso pode ajudar, mas será que um pai de dez filhos é melhor que um pai de dois? Não necessariamente. Você pode ganhar segurança e tranquilidade com as
experiências, porém só isso não garante uma boa paternidade, simplesmente porque cada filho é único e exige um olhar especial.

A presença de Chiara reacende a esperança de um tempo melhor do que o atual?

EDSON – Criança é sinônimo de futuro e esperança, de página a ser escrita, de tela branca a ser pintada. Um novo ciclo, uma nova história. Como se o mundo tivesse a chance de recomeçar melhor, com menos maldades, hipocrisias e ganâncias. Chiara é tudo isso. 

KARIN – Como já diria a canção do Gonzaguinha, “eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita e é bonita”. Sem dúvida, ver a vida pelos olhos da Chiara é um grande presente. A vida pra ela é mágica, encantada, o mundo está sendo descoberto, tudo é novidade. A criança é pura presença, não vive no passado e nem está preocupada com o futuro. Então, conviver com ela tem sido um convite para viver as maravilhas desse mundo.

Mas, numa época de tanta violência, não assusta colocar um filho no mundo?

EDSON – Não podemos ter medo do mundo em nenhuma época. E será que o homem contemporâneo é mais violento do que o do período medieval? A humanidade viveu e viverá sempre entre conflitos. Nós temos é que preparar bem os nossos filhos, com amor, espírito solidário e senso de justiça, para que eles possam enfrentar todas as realidades.

KARIN – Tem um ditado indiano que diz que a hora certa é agora. A vida sempre vai apresentar questões. Hoje, o mundo está violento. As condições ideais nunca vão existir porque viemos a este mundo para aprender e transformar. Então, quero olhar para as dificuldades que surgirem como pontes para a evolução.

Karin, como mãe de primeira viagem, qual seu maior medo?

Um dia desses, assisti a um vídeo que dizia que os pais são como jardineiros, e não marceneiros. Nós devemos cuidar da terra, criar o ambiente ideal para que a planta cresça bonita e forte. Eu ajudo a desenvolver, contribuo com o processo de desabrochar da minha filha. Não sou uma marceneira que a moldo do jeito que eu quero, sem respeitar a natureza e as peculiaridades que a Chiara tem. Então, meu medo é ser superprotetora.

Quais as dores e as delícias da paternidade?

EDSON – As costas reclamam, o sono nunca mais é o mesmo, a televisão agora só conhece desenho animado, a casa se torna um parque de diversões e o jazz dá lugar para o repertório de cirandas. Mas tudo isso também faz parte das delícias...

E as dores e delícias da maternidade?

KARIN –Quando nasce um filho, nasce uma mãe. Até a Chiara nascer, eu nunca tinha ocupado esse lugar de topo da pirâmide familiar. Sinto que mudei de hierarquia e isso tem um peso, uma nova responsabilidade. A vida muda de uma forma tão profunda e avassaladora, que até hoje eu estou
tentando me encontrar nessa nova identidade. Ao mesmo tempo, chega esse amor puro, protetor, instintivo. Um beijinho que ganho dela na bochecha acaba com qualquer dúvida e me faz entrar num pote de afeto e carinho.

A maternidade mudou você?

A maternidade mudou tudo: corpo, alma e espírito. As mudanças físicas são visíveis, desde a cicatriz que a cesárea deixou, até a minha nova descoberta de estilo. Sofri uma crise de identidade mesmo. Mas sinto mais compaixão, estou mais tolerante e flexível. Também estou mais presente, até porque a
criança exige essa presença. Não consigo brincar com a Chiara e ler uma mensagem no WhatsApp ao mesmo tempo. Acho que fiquei mais humana.

Como o casal age quando surge uma divergência?

EDSON – Aqui em casa, sempre prevalece a harmonia, o equilíbrio. Isso é fundamental para a nossa relação e para a formação da Chiara. Uma vez eu ouvi: “Uma criança não será o que ela não enxerga”. Nós somos o exemplo.

KARIN – Nosso relacionamento é baseado em respeito e conversa. Colocamos na balança os prós e os contras das situações e seguimos adiante. Esse ‘método’ tem funcionado muito bem há 12 anos... 

Há casais que estipulam regras, como não dormir brigado. Existe isso na relação de vocês?

EDSON – Isso não é uma regra para nós, mas é exatamente assim que agimos aqui em casa.

KARIN – Não sentimos necessidade de colocar regras desse estilo. O que existe entre nós é lealdade. Não vou fazer com o Edson o que eu não gostaria que ele fizesse comigo. E como temos valores de vida e familiares bem parecidos, esse convívio 33fica bem mais fácil e natural.

Karin, qual é o maior aprendizado que você teve com o Edson?

A curiosidade pela vida. Ele é um homem cheio de energia, vigor, é atento, inteligente, bem-humorado. Não veio para o mundo a passeio. Ele tem uma presença muito forte em tudo que faz, ele é luz. Com
ele, eu cresço, aprendo, me divirto, compartilho e saboreio a vida.

Edson, e qual o maior aprendizado que teve com a Karin?

Ela me ensinou o caminho para o renascimento e me fez entender que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”, como disse o poeta Fernando Pessoa. Ela é uma grande mulher e uma companheira de vida maravilhosa. Somos muito felizes.

Algum aprendizado da área da dramaturgia que vocês levaram para a vida afetiva ou vice-versa?

EDSON – A arte se mescla com a vida e isso é muito bom quando se está atento. A cada dia fica melhor a nossa parceria, então queremos “tudo junto e misturado” [risos].

KARIN – Um mestre em atuação me disse uma vez que, se você não consegue dançar com o seu parceiro de cena, a mesma, provavelmente, não vai bem. Dançar exige disponibilidade, se deixar contagiar pela energia do outro, ser conduzido, respirar junto para o movimento ser harmônico. Num relacionamento, se o casal não está na mesma sintonia, dançando a mesma música, fica difícil levar a vida a dois. Se a gente começa a discutir por besteira, voltamos para esse aprendizado e escolhemos
com que ‘música’ queremos seguir.

Quais os projetos futuros na carreira, Edson?

Além da novela Fuzuê, os filmes Ainda Somos os Mesmos, Nosso Lar 2, Área de Risco (este eu dirigi e contraceno com a Karin), a comédia da Netflix, Meu Cunhado É um Vampiro... Vai ter Edson em muitos personagens e histórias diferentes. Aproveitem [risos]!

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