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Surdez infantil: como identificar precocemente o problema e tratá-lo

Perda auditiva pode ter diversas causas, como otites, perda auditiva neural e pós-infecções

Vivian Ortiz

por Vivian Ortiz

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Publicado em 19/09/2023, às 08h00

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Olá! Essa semana falo um pouco sobre a audição das crianças. A ideia veio por conta de uma frase que ouço com frequência no consultório: meu filho não me escuta! Tal situação é bem frequente com os pequenos, podendo ocorrer algumas situações diferentes. Caso haja perda auditiva, ela pode estar sendo causada por diversos fatores, como:

  1. Otite: as otites são inflamações no ouvido. Na maioria das vezes, há retenção de secreção na orelha média, o que leva a redução da audição. Um dos tipos é a otite serosa e ela pode passar despercebida, já que não costuma causar dor ou febre. Algumas vezes pode acontecer com sintomas gripais ou crises de rinite, em que há secreção e obstrução nasal. Contudo, os sintomas nasais podem não estar presentes em todos os casos, ou seja, melhor ficar atento. A perda, neste caso, é na condução do som, sendo reversível.
  2. Perda auditiva neural: estas perdas auditivas têm a chance de acontecer em qualquer momento da vida. Podem ser congênitas e identificadas pelo teste da orelhinha após o nascimento, podendo iniciar na primeira infância ou adolescência de início súbito, ou lento. Nestes casos o teste da orelhinha é normal na triagem da maternidade e a perda auditiva se desenvolve depois. Desta forma, devemos ficar atentos a sinais de dificuldade auditiva nas crianças, visto que a audição pode variar durante a vida.
  3. Pós-infecções: como meningite e citomegalovírus
  4. Traumatismos
  5. Uso de medicações ototóxicas: como antibióticos e quimioterápicos 
  6. Prematuridade.

E QUANDO NÃO HÁ PERDA AUDITIVA?

A audição, percepção e entendimento da fala dependem tanto do ouvido quanto da compreensão do som, o que acontece pelas vias auditivas neurais (nervo auditivo) e cérebro.

Mesmo que a audição esteja normal na orelha, porém haver alteração no processamento auditivo, ou seja, como o cérebro decodifica esse som e lhe dá significado. Assim, nós ouvimos com as orelhas, mas escutamos com cérebro.

Para que uma conversa ocorra, além da audição, há necessidade de outros fatores - como atenção e memória. Para determinar onde está o problema, existe uma série de exames disponíveis - basta procurar um médico otorrinolaringologista para ajudar.

DICAS DE COMO SABER SE O SEU FILHO OUVE OU ESCUTA:

  1. Dificuldade para se comunicar em lugares ruidosos.
  2. Pedido frequente para repetir o que foi dito: utiliza “Hã” ou “que” com frequência.
  3. Necessidade de leitura labial durante a conversa.
  4. Dificuldade para ouvir aparelhos eletrônicos.
  5. Há atraso de linguagem ou troca de fonemas.
  6. Dificuldade para interpretar mensagens
  7. Dar respostas inapropriadas ou inconsistentes ao que foi pedido ou perguntado.
  8. Dificuldade em manter a atenção
  9. Distrai-se com facilidade
  10. Dificuldade em seguir ordens ou comandos auditivos complexos. Por exemplo: “Pega a blusa no quarto e guarda na bolsa que está na sala."
  11. Dificuldade em localizar a fonte sonora.

O QUE FAZER?

Desligue a televisão, tablet e smartphone. As crianças não aprendem a falar através destes aparelhos eletrônicos, pois não há interação ou conversa. Aliás, nas crianças menores, esses aparelhos são altamente prejudiciais. Isso porque, quando a TV está ligada, as pessoas conversam menos.

Além disso, crianças até 5 anos não tem maturação da via auditiva completa, tendo dificuldade para ouvir em ambientes com ruídos complexos e flutuantes. Ou seja, a criança pequena tem dificuldade em ouvir bem quando falamos com a TV ligada ou no carro, por exemplo.

Essa maturação ocorre gradualmente entre os 5 e os 12 anos, quando há melhora da percepção de fala com ruído de fundo. E o cérebro só registra aquilo que ouve com clareza. Assim, estes ruídos de competição pioram o desenvolvimento auditivo.

Resumindo: Muitas vezes, a criança não escuta o que falamos mesmo! Algumas vezes é por problemas auditivos, mas, em outras, é por excesso de informação auditiva simultaneamente. Fique atento as dicas acima e, na dúvida, procure seu médico.

*DRA. MAURA NEVES é formada na Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Residência em Otorrinolaringologia pelo HC- FMUSP. Fellow em Cirurgia Endoscópica pelo HC- FMUSP. Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Médica Assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo -SP. Aqui na Revista AnaMaria, trará quinzenalmente um conteúdo novo sobre a saúde do ouvido, nariz e garganta. Instagram: @dra.mauraneves

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