De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a obesidade atinge cerca de 9 milhões de brasileiros, enquanto o sobrepeso já alcança mais da metade da população do país. Diante desse cenário, métodos para perda de peso ganham destaque — entre eles, o balão gástrico, uma alternativa menos invasiva, mas que exige indicação correta e acompanhamento especializado.
Segundo o gastroenterologista Dr. Jimi Scarparo, o balão gástrico é um tratamento consolidado no Brasil há mais de duas décadas e consiste na introdução endoscópica de uma prótese preenchida com soro fisiológico no interior do estômago. O objetivo é ocupar espaço, aumentar a sensação de saciedade e auxiliar o paciente na reeducação alimentar.
“É importante que o paciente entenda que se trata de uma prótese dentro do estômago. Ela não altera a anatomia e não envolve medicamentos, mas exige adaptação e comprometimento”, explica o especialista.
Efeitos colaterais fazem parte da adaptação
Entre os principais efeitos colaterais relatados nos primeiros dias após a colocação do balão estão náuseas, vômitos, desconforto abdominal e sensação de estufamento. De acordo com o Dr. Jimi, esses sintomas são esperados e costumam diminuir em poucos dias, à medida que o organismo se adapta.
“O paciente precisa saber que esse início pode ser desconfortável, mas é temporário. Quando o protocolo médico é seguido corretamente, os riscos são mínimos”, destaca.
Quando o balão gástrico é indicado e quando não é suficiente
O balão gástrico pode ser indicado para pessoas com sobrepeso ou obesidade leve a moderada, que não desejam ou não têm indicação para cirurgia bariátrica e que já tentaram outros métodos de emagrecimento sem sucesso.
No entanto, o procedimento não é recomendado para pacientes que já passaram por cirurgias no estômago ou para casos de obesidade grave, nos quais a cirurgia bariátrica pode ser a opção mais eficaz.
“Não é o paciente que escolhe o método. É o método que precisa ser adequado ao perfil clínico do paciente”, reforça o gastroenterologista.
Segurança depende da equipe e da estrutura
Apesar de ser um procedimento endoscópico rápido, realizado sob sedação semelhante à de uma endoscopia comum, o especialista alerta que o balão gástrico deve ser feito apenas em ambientes com estrutura adequada e por equipes experientes, garantindo suporte durante todo o período de permanência do dispositivo, que pode variar de seis meses a um ano.
“O risco do balão não está no método em si, mas na falta de indicação correta, de acompanhamento médico e no descumprimento do protocolo”, afirma.

Alternativa conservadora, mas não isenta de responsabilidade
O balão gástrico tem se destacado como uma opção conservadora frente a medicamentos injetáveis e cirurgias, promovendo uma perda média de até 20% do peso corporal, segundo especialistas. Ainda assim, o sucesso do tratamento depende diretamente do engajamento do paciente com mudanças de hábitos alimentares e estilo de vida.
“Ele não tira o apetite artificialmente. Ele educa o paciente. Se a pessoa comer errado, vai passar mal. Isso ajuda na reeducação alimentar”, conclui o Dr. Jimi Scarparo.
Antes de optar por qualquer método de emagrecimento, a orientação é clara: buscar avaliação médica individualizada, entender riscos e benefícios e escolher a estratégia mais segura e eficaz para cada caso.
Dr. Jimi Scarparo é médico gastroenterologista especializado em endoscopia e diretor técnico da Clínica e Hospital Dia Scarparo Scopia, é membro da SOBED, FBG e SBCBM. Atua com métodos minimamente invasivos no combate à obesidade, promovendo perda de peso segura e sustentável.
Fonte: Dr. Jimi Scarparo | @dr.jimiscarparo






