O desfralde não deve ser apressado por exigência externa – e a escola tem papel importante para que essa etapa aconteça de maneira tranquila.
De acordo com o pediatra Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria, não existe idade exata para iniciar o processo. “Não existe uma idade ideal para o desfralde. O que existe é o momento em que a criança demonstra sinais claros de prontidão”, explica.
Forçar a retirada da fralda antes do tempo pode trazer consequências físicas e emocionais. “Iniciar o processo apenas por demanda escolar pode gerar frustração, constipação, retenção de fezes e sofrimento emocional”, alerta o médico.
Do ponto de vista fisiológico, o desfralde depende da maturidade do sistema nervoso central e do controle voluntário da bexiga e do intestino. Em geral, isso ocorre entre os 2 e 3 anos, mas a variação individual é grande. “Antes disso, o corpo simplesmente não está pronto”, reforça Paulo.
O papel da escola
Para a pedagoga Mariana Ruske, fundadora da Senses Montessori School, o ambiente escolar deve favorecer autonomia e segurança emocional. “O papel da escola é oferecer um ambiente preparado, acessível e livre de constrangimentos. O protagonismo deve ser sempre da criança”, afirma.
Isso inclui banheiros adaptados ao tamanho infantil, rotina organizada e ausência de pressa. Em contextos onde crianças de diferentes idades convivem, o aprendizado também ocorre por observação.
“Quando a criança vê outras usando o banheiro com naturalidade, a motivação surge de dentro, sem recompensas, comparações ou pressão externa”, explica Mariana.
Comparações atrapalham
Um erro comum é comparar crianças que já deixaram a fralda com aquelas que ainda usam. Essa prática pode afetar autoestima e gerar bloqueios. “A comparação afeta a autoestima, gera vergonha e pode bloquear o processo”, alerta a pedagoga. O ideal é que escola e família atuem de forma alinhada, respeitando o ritmo individual.

O que realmente ajuda o desfralde no período escolar?
– Manter diálogo constante entre escola e família
– Garantir banheiros acessíveis e acolhedores
– Evitar exposição ou constrangimento em caso de “acidentes”
– Convidar a criança a usar o banheiro, sem imposição
– Tratar escapes com empatia, como parte do aprendizado
Quando procurar ajuda?
Alguns sinais merecem atenção médica: dor ao evacuar, constipação frequente, retenção voluntária de xixi ou cocô, regressão após avanços ou recusa intensa em usar o banheiro. “O desfralde acontece melhor quando adultos reduzem a ansiedade e confiam no desenvolvimento da criança”, conclui Paulo.
Resumo:
O desfralde não deve ser exigência para ingresso escolar. O processo depende da maturidade física e emocional da criança e precisa acontecer sem pressão. Escola e família, quando alinhadas, ajudam a garantir segurança, autonomia e desenvolvimento saudável.
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