É quase automático: a criança cresce, a roupa aperta, o sapato perde a vez. Mas, em algum momento, surge a comparação com o primo, o colega da escola, o filho da vizinha. “Será que meu filho está crescendo como deveria?” é uma pergunta silenciosa que atravessa muitas famílias, especialmente quando o ritmo parece diferente do esperado.
A boa notícia é que crescer não é uma corrida nem um padrão único. Entender como o crescimento infantil funciona ajuda a aliviar culpas, ajustar expectativas e, principalmente, perceber quando algo realmente merece atenção médica.
O que significa crescer normalmente na infância?
Crescer de forma saudável não tem a ver, necessariamente, com ser mais alto ou mais baixo. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o crescimento considerado normal é aquele em que a criança ganha peso e altura de forma contínua, seguindo um mesmo “caminho” nas curvas de crescimento usadas pelos pediatras.
Cada criança tem um ritmo próprio, influenciado principalmente pela genética, o que torna as comparações diretas pouco úteis. “O importante não é ser alto ou baixo, e sim crescer de maneira constante e saudável, dentro do esperado para o tamanho dos pais”, diz Paulo Telles, pediatra pela SBP em entrevista à AnaMaria.
É por isso que o acompanhamento ao longo do tempo é mais valioso do que uma medida isolada. O olhar do pediatra se volta menos para números absolutos e mais para a trajetória desse crescimento.
Genética, alimentação e sono: o trio que sustenta o crescimento
O crescimento infantil acontece a partir da combinação de três fatores principais que atuam juntos. A genética determina grande parte do potencial de altura – filhos tendem a crescer de forma semelhante aos pais. A alimentação entra como suporte essencial, fornecendo os nutrientes necessários para os ossos e músculos.
O sono, muitas vezes subestimado, tem papel central nesse processo. “O hormônio do crescimento é liberado principalmente durante o sono profundo”, diz o pediatra.
Além disso, doenças crônicas, infecções frequentes e alterações hormonais podem interferir nesse ritmo e merecem investigação quando há sinais persistentes.

Quando é preciso atenção
Nem toda criança que cresce menos está com algum problema. Ainda assim, existem situações que merecem investigação. Uma delas é quando a criança muda sua curva de crescimento, apresentando uma queda importante ou uma desaceleração clara ao longo do tempo.
Outra situação de alerta é quando a criança se encontra duas curvas abaixo do esperado para a idade e para a altura dos pais. Identificar essas mudanças cedo faz diferença, tanto para descartar preocupações quanto para iniciar um acompanhamento adequado, se necessário.
Como o pediatra avalia o crescimento?
A avaliação começa de forma simples, mas cuidadosa. O pediatra realiza medidas precisas de peso, altura e velocidade de crescimento, analisa as curvas e considera a altura dos pais como referência genética.
Quando indicado, podem ser solicitados exames complementares. Entre eles, o raio-x da mão e do punho, que avalia a idade óssea e ajuda a prever o crescimento futuro. “Algumas crianças são maturadoras tardias e crescem um pouco depois, mas alcançam a altura esperada pela genética”, explica o especialista.
Exames de sangue também podem ser usados para avaliar hormônios, estado nutricional e possíveis doenças crônicas. Em situações específicas, o acompanhamento com um endocrinopediatra é indicado.
Quando o hormônio do crescimento entra em cena
O uso do hormônio do crescimento (GH) costuma gerar muitas dúvidas e expectativas. Ele não é indicado para crianças apenas baixas. Segundo a SBP, o GH só é utilizado quando há diagnóstico médico nas seguintes situações:
- Deficiência comprovada do hormônio do crescimento
- Algumas síndromes genéticas específicas
- Crianças nascidas pequenas para a idade gestacional, sem recuperação do crescimento
O tratamento é feito com aplicações diárias, geralmente à noite, por via subcutânea, e pode durar anos, sempre com acompanhamento médico rigoroso. “O ponto de preocupação atual é a indicação desnecessária ou estética, muitas vezes a pedido dos pais e sem critério médico adequado”, alerta Paulo. Mais do que acelerar o crescimento, o foco deve ser garantir saúde e bem-estar ao longo do desenvolvimento.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1505, de 23 de janeiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.







