Mesmo depois que as luzes piscam pela última vez e os enfeites começam a ser guardados, algumas conversas seguem vivas dentro de casa — especialmente aquelas que envolvem infância, fantasia e memória afetiva. Ano após ano, uma figura carismática continua conquistando os olhares dos pequenos e aquecendo o coração dos adultos: o bom velhinho, com sua barba branca, bochechas rosadas e roupa vermelha.
O Papai Noel mantém viva a fantasia natalina das crianças, desperta a expectativa pelo Natal e nos conecta com memórias de esperança, solidariedade e encantamento. Mas, afinal, até que ponto é saudável acreditar nele?
Fantasia tem idade?
“Acreditar em Papai Noel alimenta a imaginação, a criatividade e a capacidade de sonhar. Do ponto de vista emocional, a espera ajuda a criança a lidar com conceitos como paciência e generosidade”, explica a psicóloga obstétrica Marília Scabora, fundadora da Comunidade Tribo Mãe, em entrevista à AnaMaria.
Em geral, entre 6 e 8 anos, as crianças começam a diferenciar fantasia e realidade, mas cada uma amadurece no seu tempo.
O momento ideal não é determinado por idade, mas por sinais de curiosidade e questionamento da criança. Alguns pequenos podem começar a suspeitar cedo, enquanto outros mantêm a crença por mais tempo – e isso é totalmente normal. O segredo está em respeitar o ritmo de cada um.
Razões para acreditar
A magia do bom velhinho fortalece vínculos familiares e ajuda os pequenos a desenvolver paciência, empatia e solidariedade. Além disso, estimula a criatividade, incentiva o imaginário e reforça valores importantes, como esperar, compartilhar e sonhar.
Podem aproveitar para ensinar sobre generosidade e cuidado com o próximo, conectando fantasia e realidade de forma leve e harmoniosa.
A voz da curiosidade
Quando a criança começa a perguntar, muitas vezes, já desconfia da resposta. Uma estratégia que ajuda a valorizar o raciocínio dos pequenos é devolver a pergunta: “O que você acha?”.
Esse é também o momento de apresentar a história de São Nicolau: explicar que ele existiu de verdade e que a figura do Papai Noel é uma forma lúdica de manter viva a lembrança de sua generosidade.
São Nicolau foi um bispo que viveu no século IV, na região da atual Turquia, conhecido por ajudar pessoas carentes de forma generosa e anônima.
A verdade
Perguntas insistentes, comparações com colegas que já não acreditam ou comentários sobre incoerências mostram que a criança está pronta para ouvir outra versão. É possível, então, introduzir um “faz de conta consciente”, permitindo que ela continue participando da magia e até ajude a manter a tradição para irmãos menores ou outras crianças.
Além disso, os pais podem envolver os pequenos em atividades criativas relacionadas ao Natal. Algumas ideias para manter a magia e os valores da época:
- Decorar a árvore juntos e colocar enfeites feitos à mão;
- Escrever cartas de solidariedade para vizinhos ou instituições;
- Preparar pequenos presentes ou lembranças para a família;
- Criar rituais de Natal em família, como ceias, contação de histórias e troca de cartões;
- Incentivar gestos de bondade e generosidade no dia a dia, mostrando que a magia também está nas ações.

Magia e realidade de mãos dadas
A magia do Natal não precisa se perder quando a criança descobre a verdade. É possível manter o encantamento nos rituais, nas tradições em família e na solidariedade.
“Revelar cedo demais, de forma brusca, pode gerar frustração. Mas quando a criança faz perguntas e a explicação é dada com empatia, a confiança permanece”, orienta Marília. Mostrar que acreditar fez parte de uma fase bonita e que Papai Noel é inspirado em alguém real ajuda a criança a entender que a essência da tradição continua viva.
E vale lembrar: o Natal é muito mais do que presentes. É um momento de união, generosidade e celebração da família. Ao conectar a fantasia com esses valores, os pais permitem que a criança continue sonhando, mas com uma compreensão mais profunda do significado da data.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (19 de dezembro). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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