Por Renan Pereira e Lígia Menezes
No ar como Viviane em Três Graças, Gabriela Loran vive uma farmacêutica que atua em uma comunidade periférica e acaba envolvida em conflitos que atravessam desigualdade social, relações afetivas e preconceito. A novela marca sua primeira participação em uma trama das nove desde Malhação e também a consolidação de um novo momento na carreira, após trabalhos em produções como Cara e Coragem e Arcanjo Renegado.
Mulher trans, a atriz afirma que sua identidade já não é mais o eixo central da própria narrativa profissional. “Essa é minha condição de vida, mas já não é mais o fio que conduz a minha história”, diz. Para ela, o foco agora está no reconhecimento artístico e na oportunidade de mostrar seu trabalho em personagens com maior complexidade dramática. Em Três Graças, escrita por Aguinaldo Silva, ela interpreta uma mulher que enfrenta preconceitos dentro e fora do campo afetivo, inclusive em relações atravessadas por diferenças econômicas e sociais.
À AnaMaria, Gabriela fala sobre o preconceito que, segundo ela, segue explícito na sociedade, sobre espiritualidade sem vínculo institucional e sobre a decisão de viver o presente profissional com atenção total ao projeto atual. Com a novela em exibição e novas temporadas de séries já gravadas, a atriz define esta fase como um período de colheita após anos de formação, trabalho e exposição pública.
Como você está vivendo a experiência de interpretar sua nova personagem em Três Graças? Quais desafios internos você enfrentou para dar profundidade a essa personagem?
Estou vivendo um sonho. A Viviane é a personagem que sempre quis viver e, hoje, isso é real. Três Graças é o tipo de novela que o público sentia falta, então, fazer parte desse momento sem dúvida é algo muito especial. Principalmente se tratando da volta de Aguinaldo Silva para a Globo. Não existiram grandes desafios, muito pelo contrário. Estava louca para mergulhar de cabeça nas nuances e complexidades da Vivi.
Como foi a preparação para essa personagem, especialmente em relação às emoções mais complexas que ela apresenta?
Com a Viviane, por incrível que pareça estou acessando lugares e sentimentos que nunca vivi antes. Tá sendo um grande aprendizado e uma troca bem interessante. Acredito que o Brasil ainda vai se emocionar muito com a história dela.
Qual foi a importância da relação da sua personagem com Pedro Novaes para a trama, na sua visão?
Acho que carregamos uma responsabilidade muito grande de mostrar a realidade e de cenários possíveis, vamos emocionar as pessoas num lugar transformador. O Pedro é um grande parceiro de cena e estamos bem sintonizados, com um olhar e a escuta bem aberta um para o outro. Então espero ter uma trajetória linda. Temos a possibilidade de ser um dos maiores casais da teledramaturgia.

Você é uma mulher trans muito “bem resolvida”. Como foi o seu processo de transição? Quais foram as maiores dificuldades antes e durante?
Essa é minha condição de vida, mas já não é mais o fio que conduz a minha história. Estou no momento de celebração das minhas conquistas. O caminho foi árduo mas a hora da colheita chegou. As dificuldades existem e sempre existirão, mas vamos celebrar nosso sucesso.
Você acredita que o fato de ser uma mulher trans, hoje, abre portas – ou ainda fecha portas na TV?
Quero cada dia mais poder mostrar ao mundo o quanto sou capaz. E a Viviane tem sido esse degrau pra mim, o que faltavam eram oportunidades para mostrar esse talento que foi conquistado com muito suor e estudo. Então agora estudando o feedback do público, fico feliz de poder mostrar que a minha escolha para essa personagem está rendendo todo esse amor e sucesso.
Qual é a sua crença ou religião atual? Se sente acolhida pela fé que escolheu?
Eu tenho fé. E me conecto com todas as formas de expressar isso. Quem se limita, vive pela metade. Quero beber de todas as fontes desde que me faça bem.
Em que, na sua opinião, o mundo ainda precisa evoluir?
Estamos em constante evolução e sem dúvida ter a oportunidade de se tornar um ser humano melhor é uma das maiores dádivas. Então, estou sempre buscando me aprimorar ou ao menos reconhecer em mim, coisas pelas quais valham a pena transmutar.
O preconceito, hoje, é bastante velado. Você concorda? Como podemos melhorar, como sociedade, nessa questão?
Muito pelo contrário, acho que o preconceito sempre está dado! Posto! Muitas vezes as pessoas que escolhem não ver. Mas aos meus olhos, está tudo aí. Vê quem quer. É quase o mito da caverna né, sair e ter acesso é um caminho sem volta.
O que os fãs podem esperar de você e dessa nova fase em “Três Graças”? E em outros projetos?
Agora estou extremamente focada em Três Graças. Quero viver essa experiência ao máximo, estar presente e inteira. Saborear esse momento tão frutífero na minha carreira. Por que sei que esse trabalho abrirá portas jamais pensadas antes.
Sobre outros projetos, acabamos de lançar Arcanjo Renegado, 4º temporada, que está a todo vapor. Já gravei a quinta e ano que vem, a Giovanna já assume a candidatura, o que promete muito. Estou ansiosa.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1504, de 16 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








