A inteligência artificial já deixou de ser promessa e passou a fazer parte da rotina escolar de milhares de estudantes brasileiros. Cada vez mais, governos, escolas e professores enxergam a tecnologia como uma aliada do aprendizado, especialmente em disciplinas que costumam gerar insegurança, como a matemática. Ainda assim, especialistas reforçam: o uso de IA exige equilíbrio, estratégia e pensamento crítico.
O avanço dessa discussão ganhou força quando a Unesco reconheceu o Piauí como o primeiro território das Américas a implementar o ensino de inteligência artificial na educação básica. Desde o início de 2024, a disciplina se tornou obrigatória para alunos do 9º ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio, marcando um novo momento para a educação pública brasileira.
A IA já está dentro das escolas e dos planos educacionais do país, mas o sucesso desse movimento depende da forma como alunos e professores utilizam a tecnologia no dia a dia — especialmente no ensino da matemática.
Uso de IA na educação já é realidade no Brasil
Além do Piauí, outros estados avançam rapidamente. No Paraná, uma parceria firmada entre o governo estadual e o Google prevê a incorporação de recursos educacionais digitais baseados em inteligência artificial ao cotidiano das escolas ao longo de 2025. A iniciativa busca personalizar o aprendizado e oferecer ferramentas que acompanhem o ritmo de cada estudante.
No âmbito federal, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024–2028 traça metas para o uso da tecnologia no setor público, incluindo a educação. Entre as propostas estão sistemas de tutoria inteligente em matemática, soluções adaptativas de avaliação e projetos voltados à melhoria da aprendizagem e do bem-estar dos estudantes.
Portanto, quando falamos em Inteligência Artificial na educação, não se trata mais de um recurso isolado, mas de uma política educacional em construção, que exige preparo, ética e responsabilidade.
Tecnologia como aliada do raciocínio, não como atalho
Para o professor de física Felipe Guisoli, à frente da escola online Universo Narrado, a inteligência artificial pode transformar o aprendizado, desde que não substitua o esforço do aluno. Segundo ele, a tecnologia funciona melhor quando estimula o pensamento, e não quando entrega respostas prontas.
“A IA é uma ferramenta poderosa para otimizar os estudos de física e matemática, mas deve ser usada com estratégia. Em vez de apenas buscar respostas, o ideal é testar hipóteses, gerar explicações alternativas e identificar lacunas no próprio entendimento”, explica.
Além disso, Felipe destaca que resolver exercícios manualmente continua essencial. Ou seja, a IA acelera o aprendizado, mas não substitui a prática constante nem a construção de intuições matemáticas sólidas.

Como usar IA para aprender matemática no dia a dia
- Peça explicações diferentes para o mesmo conteúdo
A IA pode explicar um conceito de várias formas: passo a passo, com exemplos do cotidiano ou linguagem mais simples. Assim, o aluno encontra a abordagem que mais faz sentido para ele. - Crie exercícios personalizados
É possível pedir à IA listas de exercícios com níveis variados de dificuldade. O ideal é tentar resolver sozinho antes de conferir as respostas, fortalecendo o aprendizado ativo. - Identifique erros e compreenda o raciocínio
Ao mostrar o caminho da resolução, a IA ajuda o estudante a entender exatamente onde errou, evitando que o mesmo equívoco se repita. - Teste hipóteses e explore possibilidades
Perguntas como “e se eu mudar esse valor?” estimulam o raciocínio lógico e tornam o estudo mais investigativo. - Reforce conteúdos antes das provas
A IA pode ajudar na revisão de fórmulas, conceitos-chave e procedimentos, além de criar resumos e testes rápidos de autoavaliação. - Questione as respostas geradas
Pedir justificativas e comparar métodos fortalece o pensamento crítico e evita a dependência excessiva da tecnologia. - Use a IA como complemento, não substituição
Resolver contas no papel e exercitar o raciocínio continuam sendo fundamentais para uma base matemática sólida.
Resumo: A inteligência artificial já integra a educação brasileira e pode apoiar o aprendizado de matemática. Iniciativas estaduais e federais mostram esse avanço. No entanto, especialistas reforçam que a tecnologia deve complementar os estudos, estimulando o raciocínio e o pensamento crítico. Usada com equilíbrio, a IA se torna uma grande aliada.
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