Os patinetes elétricos já fazem parte da paisagem urbana e, à primeira vista, parecem a solução perfeita para quem busca agilidade no dia a dia. Eles encurtam trajetos, evitam congestionamentos e ainda carregam o discurso da sustentabilidade. No entanto, por trás dessa praticidade, surgem questões que merecem atenção, especialmente quando falamos sobre jovens, saúde e segurança.
Embora muita gente veja esses veículos como aliados da mobilidade moderna, especialistas alertam que o uso frequente pode trazer impactos silenciosos. Por isso, entender o outro lado dessa tendência ajuda a fazer escolhas mais conscientes, tanto para o corpo quanto para a cidade.
Patinetes e a perda da mobilidade ativa no cotidiano
Antes de tudo, vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde aponta o sedentarismo como um dos grandes desafios do século. Caminhar ou pedalar até a escola, o trabalho ou o mercado integra movimento à rotina e, assim, protege a saúde de forma simples e eficaz.
Entretanto, quando os patinetes substituem trajetos feitos a pé ou de bicicleta, essa atividade desaparece do dia a dia. Estudos recentes mostram que o gasto energético ao usar esses veículos é significativamente menor do que caminhar. Ou seja, ao optar pela mobilidade assistida, muitas pessoas deixam de se movimentar como fariam naturalmente.
Além disso, como permitem chegar praticamente à porta do destino, os patinetes reduzem a combinação com o transporte público, que normalmente exige algum deslocamento a pé. Como resultado, a soma desses pequenos hábitos cria uma rotina mais parada, o que, a longo prazo, aumenta o risco de doenças não transmissíveis.
Impactos sociais e emocionais do uso de patinetes
Outro ponto pouco discutido envolve a saúde psicossocial. O trajeto diário também funciona como um espaço de convivência, troca de ideias e observação do entorno. Caminhar ou pedalar favorece encontros, conversas e até momentos de pausa mental.
Por outro lado, o uso constante de patinetes tende a tornar o deslocamento mais individual e rápido demais. Assim, jovens perdem oportunidades de interação social, o que pode afetar a forma como se relacionam com colegas e com a própria cidade. Embora pareça um detalhe, essa mudança influencia o bem-estar emocional ao longo do tempo.
Acidentes com patinetes acendem alerta de segurança
Além das questões de saúde, os dados sobre acidentes chamam atenção. Em 2024, a Direção Geral de Trânsito da Espanha registrou 459 internações por ocorrências envolvendo veículos de mobilidade pessoal, principalmente patinetes elétricos. O número representou um aumento de 34% em relação ao ano anterior, enquanto as mortes quase dobraram.
Da mesma forma, outros países europeus observaram crescimento nos casos graves. Na Alemanha, por exemplo, metade dos feridos tinha menos de 25 anos. Estudos ainda indicam que, entre jovens, os patinetes causam mais acidentes do que bicicletas, com lesões que incluem fraturas complexas e traumatismos cranianos.
A combinação de velocidade, rodas pequenas, pouca estabilidade e infraestrutura inadequada aumenta os riscos. Somam-se a isso a falsa sensação de segurança, o baixo uso de capacete e a falta de educação no trânsito.
Resumo: Os patinetes oferecem praticidade, mas também levantam preocupações sobre sedentarismo, segurança e convivência urbana. Embora sejam úteis em alguns contextos, eles não substituem os benefícios da mobilidade ativa. Incentivar caminhar e pedalar protege a saúde, fortalece relações sociais e contribui para cidades mais equilibradas.
Leia também:
De esquecido a disputado: itens simples que hoje valem muito dinheiro








