No meio da Amazônia, às margens do Rio Tapajós, existe um pedaço de história que parece ter sido esquecido pelo tempo: Fordlândia. Idealizada pelo famoso Henry Ford, da montadora de carros, essa cidade foi um ambicioso projeto para produzir látex e abastecer a indústria automobilística. Hoje, o que restou foram ruínas de fábricas, casas abandonadas e máquinas enferrujadas – um verdadeiro cenário de cidade-fantasma.
O sonho de Henry Ford na Amazônia
No início do século 20, a borracha natural era um tesouro cobiçado. A Amazônia dominava o mercado, mas o extrativismo era irregular e as seringueiras cresciam de forma selvagem. Foi então que Henry Ford decidiu criar sua própria fonte de látex, garantindo o controle da matéria-prima para seus carros. Em 1927, ele ergueu Fordlândia no Pará, trazendo até mesmo casas pré-fabricadas dos EUA.
A vida em Fordlândia: luxo e rigidez
A cidade tinha tudo para ser um sucesso: água encanada, energia elétrica, hospitais, escolas e até um salão de festas com bailes e cinema. No entanto, as regras eram duras – futebol e bebidas alcoólicas, por exemplo, eram proibidos. Além disso, os trabalhadores não se adaptaram à comida americana, e muitos adoeceram com doenças tropicais, como febre-amarela.
O declínio e o abandono de Fordlândia
Apesar do investimento, o projeto enfrentou problemas desde o início. A produção de borracha não decolou, e o mercado já estava dominado por países asiáticos, que ofereciam preços mais baixos. Com a popularização da borracha sintética, Henry Ford II, neto do fundador, decidiu abandonar a cidade nos anos 1940.
Fordlândia hoje: ruínas e memórias
Hoje, o local ainda abriga cerca de 1.200 moradores, segundo o IBGE, mas as estruturas da época estão em ruínas. A história dessa cidade perdida na Amazônia já inspirou livros, filmes e até aulas de história. Quem visita o local pode sentir um misto de fascínio e nostalgia por um projeto que prometia progresso, mas acabou se tornando um marco do passado.
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