Para os surfistas de ondas gigantes, enfrentar caldos colossais faz parte da rotina. Mas, na última segunda-feira (24), o big rider brasileiro Will Santana e seu piloto de resgate, Daniel Rangel, passaram por uma das situações mais assustadoras de suas carreiras na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal.
O incidente aconteceu durante as gravações da competição Gigantes de Nazaré, que será exibida no Esporte Espetacular nos dias 6 e 13 de abril.
O episódio ocorreu três semanas depois de Will impressionar os fãs do esporte ao surfar uma onda de quase 30 metros durante a Tempestade Hermínia.
Durante uma sessão de surfe, o primeiro piloto de resgate de sua equipe, Eric Rebiere, avistou uma onda à direita, próxima ao Canhão de Nazaré, desfiladeiro submarino responsável pela formação das ondas gigantes na região.
“Quando você surfa essa onda, você acaba saindo nela de frente para a pedra, em uma posição bem ruim. Eu estava com um piloto muito experiente, Eric Rebiere, e Daniel Rangel, o ‘Foamball’, que era o segundo resgate, e que me dão total confiança, pois sei que vão dar a vida para tentar me resgatar”, contou Will.
As imagens são do Globo Esporte. Veja.
O momento do impacto
No meio da descida, o pé do surfista se soltou da alça da prancha. Ele tentou recuperar o controle, mas percebeu que a crista da onda estava prestes a explodir sobre sua cabeça e decidiu pular.
“Já pulei da prancha com a mão no colete para inflar. Fui muito, muito jogado lá para baixo. Fiquei muito tempo debaixo d’água. Fui esmagado, minhas costas estalaram. Acabei subindo em uma posição muito complicada. Quando Eric passou, não deu para me pegar, porque estava um pouco mais à frente”, lembrou, assustado.
Diante da situação, Daniel Rangel tentou se aproximar com o jet ski para resgatá-lo. Assim que Will emergiu e foi colocado no sled, uma nova onda gigantesca se aproximou, tornando a saída impossível. A única opção foi a sobrevivência.
“Vi que não ia dar e resolvi pular. Consequentemente, o Will viu e também foi deixando o jet ski para trás. Ficamos dentro da onda. Usei uma técnica que fazemos quando pegamos um tubo. Quando você vê que a onda vai fechar, você nunca pula para a frente. A crista da onda vai te machucar. Se a gente cai dentro da onda, é uma parte mais macia, onde toda a água pode explodir, mas pelo menos é espuma e não a parte densa”, explicou Daniel Rangel.
Resgate e consequências
A estratégia foi bem-sucedida e garantiu tempo suficiente para que o surfista mais premiado do Gigantes de Nazaré, Lucas Chumbo, finalizasse o resgate com a ajuda do tetracampeão de skimboard, Lucas Fink. Apesar do susto, Will e Daniel sofreram apenas ferimentos leves.
“Foi muito assustador. Voltei para casa e fiquei passando muito ‘perrengue’ para conseguir dormir, com dor de cabeça, dores no corpo inteiro. O choque de adrenalina foi muito grande. Estou exausto psicologicamente e fisicamente. Mas esse é meu esporte e minha vida, por mais que eu me prepare horas na academia, acho que nenhum ser humano está preparado para viver isso”, desabafou Will.
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