Nascida em Wrocław, na Polônia, Agnieszka Kotlarska descobriu cedo o caminho da moda. Ainda adolescente, começou a participar de concursos locais e, pouco a pouco, transformou o talento natural em reconhecimento. Em poucos anos, conquistou os títulos de Miss Wrocław e Miss Polônia — uma ascensão rápida que chamou a atenção do país.
Em 1991, veio o momento que mudaria sua vida: ao vencer o Miss International, no Japão, Agnieszka entrou para a história como a primeira polonesa a alcançar esse título. A partir dali, o nome dela passou a circular entre as grandes capitais da moda.
A carreira internacional ganhou fôlego em cidades como Nova York, Paris e Milão. Agnieszka trabalhou com estilistas renomados, estampou revistas importantes e parecia viver o auge de um sonho profissional. Fora dos holofotes, no entanto, escolheu uma vida mais reservada: casou-se, tornou-se mãe e buscava conciliar maternidade, trabalho e novos projetos com discrição.

Um documentário que revisita a história — Agnieszka Kotlarska
O documentário Obsessão: O Assassinato de uma Rainha da Beleza, disponível na HBO Max, revisita essa trajetória com sensibilidade e contexto histórico. Mais do que contar a história de uma carreira promissora, a produção convida o público a refletir sobre um período em que mulheres tinham pouca ou nenhuma proteção diante da perseguição obsessiva.
Ao longo do filme, depoimentos e investigações ajudam a entender o cenário social dos anos 1990, quando o stalking ainda não era reconhecido como crime em muitos países — e, por isso, raramente era levado a sério.
Quando a admiração virou ameaça
Muito antes da fama, um homem passou a observar Agnieszka de forma insistente. Com o tempo, o que parecia admiração se transformou em obsessão. Ele passou a segui-la, enviar cartas e tentar contato repetidas vezes. Mesmo diante de recusas claras, a perseguição não cessou.
Naquele período, a legislação polonesa não oferecia mecanismos eficazes para proteger vítimas desse tipo de assédio. Assim, casos de stalker e violência contra a mulher eram frequentemente minimizados, o que deixava mulheres ainda mais expostas. Infelizmente, essa realidade não ficou restrita ao passado.
O crime que chocou o mundo
Em 1996, aos 24 anos, Agnieszka Kotlarska foi morta em frente à própria casa. O crime chocou a Polônia e interrompeu de forma brutal uma história marcada por talento e reconhecimento. O caso da Miss Polônia assassinada se tornou símbolo de um problema maior: a negligência diante da perseguição obsessiva.
Anos depois, o país avançou na legislação e passou a reconhecer o stalking como crime. Hoje, a lei prevê punições mais severas e reconhece os impactos emocionais e físicos sofridos pelas vítimas.
A história de Agnieszka, porém, não termina na tragédia. Em 2022, nasceu a Fundação Agnieszka Kotlarska (AGA), criada para oferecer apoio psicológico, orientação e espaços seguros para vítimas de assédio. Assim, sua memória se transformou em ação concreta — e em um alerta que segue atual.
Resumo: Agnieszka Kotlarska foi uma das modelos mais promissoras da Polônia nos anos 1990. Sua morte escancarou falhas na proteção contra o stalking. Hoje, sua história inspira debates e iniciativas de combate à violência contra a mulher.
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