Dizer “não” é mais do que um gesto de autoafirmação, é necessário! Pode significar um salto rumo à liberdade financeira. A gente sabe que surgem muitos convites para jantares, festas e viagens, mas aceitar tudo por pressão social ou medo de desapontar os outros pode estar saindo caro demais!
“Ceder para não decepcionar o outro, quando o orçamento já está apertado, é muitas vezes negar a si mesmo a chance de construir um futuro financeiro mais tranquilo”, afirma a educadora financeira Thaisa Durso, da Rico
Quanto custa o seu “sim”?
Parece pouco, mas gastar R$ 200 por mês com compromissos sociais pode representar um rombo no longo prazo. Uma simulação da Rico, com base em dados da Economatica, mostra que, se esse valor fosse investido mensalmente durante 30 anos, o retorno poderia ultrapassar R$ 30 milhões em uma carteira agressiva – ou chegar a R$ 1,5 milhão em uma carteira conservadora.
Veja o impacto em diferentes perfis de investimento:
Tempo de investimento | Conservador | Moderado | Agressivo |
5 anos | R$ 18.554 | R$ 20.787 | R$ 25.821 |
10 anos | R$ 60.038 | R$ 77.271 | R$ 126.276 |
20 anos | R$ 360.148 | R$ 647.806 | R$ 2.037.466 |
30 anos | R$ 1.592.014 | R$ 4.860.371 | R$ 30.963.261 |
Mesmo na modalidade mais conservadora, a diferença no patrimônio é significativa – e maior do que se imagina quando se trata de pequenos gastos mensais.
A conta invisível: dívidas, estresse e insônia
A pressão social tem gerado mais do que boletos: traz insônia, desconcentração e culpa. Dados do Serasa apontam que 83% das pessoas endividadas têm dificuldade para dormir e 74% enfrentam problemas de foco no dia a dia. Os motivos? Manter um padrão de vida que não condiz com a realidade – e o medo de parecer “pão-duro” ou “excluído” quando decide recusar um convite.
“Dizer ‘não’, com respeito, é um ato de responsabilidade. Um ‘sim’ impulsivo, motivado por culpa ou constrangimento, pode trazer consequências duras: dívidas, crédito comprometido e, ironicamente, o desgaste da amizade que se queria proteger”, explica Thaisa.
Redes sociais impulsionam o endividamento silencioso
A dificuldade em recusar convites não vem de fraqueza, mas de um ambiente social que estimula o silêncio sobre o dinheiro. De acordo com a pesquisa “O Bolso do Brasileiro”, do Instituto Locomotiva, insegurança, vergonha e medo ainda cercam as conversas sobre finanças pessoais.
Essa barreira aumenta quando se soma o filtro das redes sociais, onde a comparação é constante e enganosa. “Surge então a chamada ‘comparação social ascendente’: a tendência de medir a própria vida com base naquilo que os outros escolhem mostrar”, explica a especialista.
Um levantamento da Credit Karma revela que mais de 25% dos millennials escondem seus salários e dívidas de amigos próximos com medo de julgamentos. O resultado? Um ciclo vicioso de consumo, endividamento, vergonha e isolamento.
Como dizer mais NÃO
A boa notícia é que é possível recusar convites sem abalar vínculos afetivos. A chave está na honestidade e no planejamento.
“A disciplina financeira não é um ato de renúncia, mas de fortalecimento pessoal”, destaca Thaisa. “Cuidar da própria saúde financeira é um gesto de respeito, tanto consigo quanto com os outros.”
Ela sugere trocar desculpas vagas por conversas francas: “Evitar o assunto ou oferecer desculpas vagas podem minar a confiança mais rapidamente do que uma recusa sincera”, afirma.
Se o orçamento está apertado, vale propor alternativas mais acessíveis, como um piquenique no parque, um café em casa ou um passeio gratuito. O importante é manter o vínculo sem abrir mão do próprio limite.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1481, de 8 de agosto de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.