Os golpes no Pix devem continuar no centro das fraudes digitais em 2026. O alerta vem da ESET, empresa referência em segurança cibernética, que aponta um salto na sofisticação dos golpes financeiros, impulsionados pelo uso cada vez mais avançado de inteligência artificial (IA) e técnicas refinadas de engenharia social.
Em 2025, os criminosos já exploraram características próprias do sistema, como transferências instantâneas, funcionamento 24 horas por dia e dificuldade de reversão. Como resultado, segundo relatório da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP), cerca de 28 milhões de brasileiros sofreram fraudes financeiras envolvendo Pix no último ano. Pessoas com mais de 50 anos representaram 53% das vítimas.
De acordo com Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET Brasil, o problema não está na tecnologia em si. “O Pix não é o vilão. O risco surge quando o sistema se combina com pressão emocional, urgência e histórias cada vez mais convincentes”, explica.
Fraudes digitais mais comuns envolvendo Pix
Ao longo de 2025, os golpes virtuais ficaram mais variados e bem estruturados. Entre os mais frequentes, destacam-se:
- Golpe da falsa central de atendimento: o criminoso se passa por banco ou operadora e convence a vítima a transferir valores para “regularizar” a conta.
- Golpe do Pix errado: em crescimento, confunde a vítima e pode gerar prejuízo duplo.
- Falsas vagas de emprego: anúncios inexistentes exigem pagamento via Pix como “taxa” de inscrição.
- Falsas lojas online: sites e perfis fraudulentos oferecem preços atrativos e direcionam o pagamento fora de plataformas seguras.
- Golpe do Pix da Receita Federal: mensagens falsas sobre cobrança de impostos ou fiscalização, já desmentidas oficialmente.
Esses crimes digitais, embora diferentes entre si, seguem um mesmo padrão: urgência, medo e aparência de legitimidade.
Golpes com inteligência artificial elevam o nível de convencimento
A inteligência artificial mudou radicalmente o cenário dos golpes com inteligência artificial. Se antes mensagens genéricas denunciavam tentativas de fraude, agora os golpistas digitais criam abordagens personalizadas em segundos, usando dados reais e linguagem natural.
“Em 2026, o golpe começa com o nome da vítima, a cidade onde ela mora e uma história que parece verdadeira”, alerta a ESET. Como consequência, a capacidade de persuasão aumenta e o tempo de reação diminui.
Além disso, o uso de deepfakes tende a crescer. Já circulam vídeos falsos com autoridades anunciando supostas mudanças no Pix ou novas cobranças, conteúdos que devem ficar ainda mais realistas, ampliando os ataques virtuais.

Avanços do Banco Central ajudam, mas não resolvem tudo
Diante do aumento das fraudes bancárias, o Banco Central reforçou medidas de segurança no Pix em 2025. Entre elas estão o bloqueio de chaves ligadas a atividades suspeitas, a verificação obrigatória de CPF ou CNPJ e melhorias no Mecanismo Especial de Devolução (MED).
Atualmente, o MED consegue rastrear o caminho do dinheiro mesmo após múltiplas transferências. No entanto, os próprios criminosos passaram a explorar esse recurso, especialmente no golpe do Pix errado.
Nesse caso, o golpista envia um valor à vítima, pede a devolução por meio de uma nova transferência e, em seguida, aciona o MED alegando fraude. Assim, a pessoa perde o dinheiro devolvido e ainda pode ter seus próprios recursos bloqueados temporariamente.
Para reduzir esse risco, o Banco Central anunciou novas regras em agosto de 2025. A partir de fevereiro de 2026, o compartilhamento das informações do MED entre instituições será obrigatório, dificultando o uso de contas laranja.
Como se proteger no dia a dia?
Apesar dos avanços tecnológicos, o fator humano continua sendo decisivo. Por isso, a ESET recomenda atenção redobrada sempre que o Pix estiver associado a pressa excessiva, ameaças ou pedidos de sigilo.
Nenhum órgão público exige Pix como única forma de pagamento. Em caso de Pix recebido por engano, a única opção segura é usar a função “devolver” dentro do aplicativo do banco.
“Qualquer pedido diferente disso deve ser tratado como suspeito”, orienta Daniel. Sempre que surgir dúvida, vale interromper a ação e falar diretamente com o banco.
Fraudes digitais: o que fazer se você cair em um golpe
Se a fraude acontecer, agir rápido faz diferença. A ESET orienta:
- Contatar o banco imediatamente e acionar o MED.
- Registrar um Boletim de Ocorrência (BO).
- Aguardar a análise, que pode levar até 11 dias.
Embora a devolução não seja garantida, essas etapas aumentam as chances de minimizar o prejuízo. “A tecnologia evoluiu, então nosso senso crítico precisa evoluir junto. O golpe mais perigoso é aquele que parece legítimo demais”, conclui a ESET.
Resumo: Os golpes no Pix devem ficar ainda mais sofisticados em 2026, impulsionados por inteligência artificial e engenharia social. Apesar dos avanços na segurança no Pix, o comportamento do usuário segue como principal linha de defesa. Desconfiar da urgência, evitar transferências fora do app e buscar informação continuam sendo as melhores formas de proteção.
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