Em 2025, a renda fixa teve o melhor desempenho em quase uma década, impulsionado pelos juros elevados e pela busca por previsibilidade. Os títulos públicos prefixados de longo prazo foram o investimento de maior rentabilidade da modalidade no ano passado, segundo a Anbima.
E, ao contrário do que muita gente pensa, renda fixa não é sinônimo apenas de poupança. Existem diversas opções que podem render mais, com níveis diferentes de prazo, risco e liquidez. Vamos entender?
O que é renda fixa?
Na renda fixa, o investidor empresta dinheiro para uma instituição financeira, uma empresa ou para o governo. Em troca, recebe esse valor de volta acrescido de juros, que seguem regras conhecidas desde o início ou estão atreladas a indicadores da economia.
Essa previsibilidade é o principal diferencial da renda fixa. Mesmo quando o rendimento varia ao longo do tempo, como nos títulos ligados à inflação ou à taxa básica de juros, o investidor sabe como o cálculo será feito. Por isso, a renda fixa costuma ser indicada para quem busca mais estabilidade, quer montar uma reserva financeira ou prefere evitar grandes oscilações no valor investido.
Como funciona a rentabilidade?
Existem três formas principais de remuneração na renda fixa:
- Na renda fixa prefixada, a taxa de juros é definida no momento da aplicação. Isso significa que o investidor já sabe quanto vai receber no vencimento do título, independentemente de mudanças na economia.
- Na renda fixa pós-fixada, o rendimento acompanha um índice, como a taxa Selic ou o CDI. Nesse caso, o valor final depende da variação desses indicadores ao longo do tempo.
- Já a renda fixa atrelada à inflação combina dois fatores: a variação do índice oficial de preços e uma taxa fixa adicional. Esse tipo de investimento é usado principalmente para proteger o poder de compra no médio e longo prazo.
Os principais investimentos
- Tesouro Direto: permite investir em títulos públicos pela internet. Ao aplicar, o investidor empresta dinheiro ao governo federal e escolhe entre opções prefixadas, pós-fixadas ou atreladas à inflação, com diferentes prazos.
- CDB: são emitidos por bancos e funcionam como um empréstimo à instituição financeira. Podem ter rendimento fixo ou atrelado a índices e contam com proteção do Fundo Garantidor de Crédito dentro dos limites estabelecidos.
- LCIs e LCAs: financiam os setores imobiliário e do agronegócio. Um dos principais atrativos é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas esses títulos costumam ter prazo mínimo de permanência.
- CRIs e CRAs: também financiam esses setores, mas são emitidos por securitizadoras. Em geral, oferecem rentabilidade maior e isenção de imposto, porém, envolvem prazos longos e mais risco, já que não têm garantia do FGC.
- Debêntures: são títulos de dívida emitidos por empresas. Algumas delas, chamadas de incentivadas, são voltadas a projetos de infraestrutura e também têm isenção de Imposto de Renda, exigindo atenção à saúde financeira da empresa emissora.

Fundo Garantidor de Crédito
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é um mecanismo de proteção que aumenta a segurança do sistema financeiro ao garantir parte do dinheiro aplicado por investidores em caso de falência de instituições financeiras, ajudando a reduzir o risco de crédito e a evitar crises maiores, como corridas bancárias. Ele cobre aplicações como poupança, CDB, LCI, LCA, LC, RDB, letras imobiliárias e hipotecárias, entre outras operações listadas oficialmente pelo fundo. A proteção é limitada a até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição participante, com um teto global de R$ 1 milhão por investidor a cada período de quatro anos, o que torna recomendável dividir valores maiores entre diferentes bancos para manter todo o montante protegido.
Renda fixa é diferente de renda variável
Na renda fixa, o investidor conhece as regras de remuneração e tem mais previsibilidade. Na renda variável, como ações, os preços oscilam diariamente e podem gerar ganhos ou perdas em curtos períodos.
Passo a passo para começar a investir em renda fixa
- O primeiro passo é definir o objetivo do dinheiro. Valores destinados a emergências pedem aplicações com liquidez diária (ou seja, saque no mesmo dia), enquanto metas de médio e longo prazo permitem investir em títulos com vencimentos mais distantes.
- Em seguida, é importante escolher uma corretora ou banco que ofereça acesso a produtos de renda fixa. É possível investir de forma totalmente digital.
- Depois, vale analisar o prazo de vencimento, o tipo de rentabilidade, a incidência de impostos e a possibilidade de resgate antecipado. Esses pontos fazem diferença no resultado.
- Também é recomendável diversificar, distribuindo o valor entre diferentes títulos e prazos, para equilibrar segurança e rentabilidade.
- Por fim, acompanhar os investimentos periodicamente ajuda a entender se eles continuam alinhados aos seus objetivos e se ajustes são necessários ao longo do tempo.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1505, de 23 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.







