A relação das mulheres com o dinheiro vai muito além da matemática. Segundo a psicóloga Luciana Cardoso, autora do livro ‘O correto é prosperar’ (Editora Trend), muitas dificuldades financeiras estão ligadas a memórias herdadas da infância e a padrões familiares que se perpetuam sem que sejam percebidos. “Crenças de que enriquecer é errado, de que pedir aumento é sinal de ambição excessiva, ou de que o dinheiro sempre vai embora são alguns exemplos comuns que vejo no consultório”, conta Luciana.
Herança emocional
Estudos indicam que a maneira como lidamos com o dinheiro não é apenas racional, mas fortemente influenciada pelo que vimos em casa. Experiências de escassez, frases repetidas pelos pais e até histórias de dificuldades vividas por avós podem se transformar em crenças que bloqueiam ganhos. Tem mais: os jovens tendem a reproduzir padrões de consumo dos pais, reforçando essa herança invisível.
No caso das mulheres, o peso cultural é ainda maior. “Historicamente, fomos ensinadas a aceitar uma posição secundária na gestão do dinheiro. Muitas sentem culpa por prosperar, como se estivessem traindo sua família ou seu parceiro. O trabalho terapêutico é justamente ajudar a dar permissão interna para ganhar e gerir recursos sem carregar esse fardo”, reforça a psicóloga.
As crenças mais comuns
No livro, Luciana lista algumas ideias enraizadas que continuam a afastar mulheres da prosperidade. Veja a seguir quais são elas e lembre-se: se reconhecer alguma em você, é sempre tempo de mudar!
- “Eu não sou boa o suficiente”: dificulta cobrar pelo próprio trabalho e reconhecer o valor do que se faz.
- “Eu preciso ser perfeita”: a cobrança pela perfeição paralisa e impede que oportunidades sejam aproveitadas.
- “Dinheiro não é para mim”: mesmo quando ganham bem, muitas mulheres não conseguem reter o dinheiro, destinando-o sempre aos outros.
- “O homem tem que pagar a conta”: reforça a dependência financeira histórica e reduz a autonomia feminina.
- “Não sou capaz de lidar com finanças”: apesar de administrarem com competência o lar, muitas mulheres não se enxergam como aptas a cuidar das próprias finanças fora dele.

O correto é prosperar!
No livro O correto é prosperar, Luciana apresenta ferramentas para identificar padrões familiares limitantes, criar limites saudáveis diante de pedidos de ajuda financeira e integrar prosperidade, identidade e propósito de vida. O objetivo é ajudar mulheres e homens a ressignificarem suas histórias, construindo uma relação mais equilibrada com o dinheiro. Vamos começar?
- Observe suas frases automáticas: perceba se você repete pensamentos como “não sou boa com dinheiro” ou “isso não é para mim”. Identificar é o primeiro passo para mudar.
- Revisite histórias de infância: lembre-se de frases ditas em casa sobre dinheiro e questione se ainda fazem sentido hoje.
- Valorize seu trabalho: anote conquistas, habilidades e resultados. Essa prática fortalece a confiança para cobrar preços justos ou pedir aumento.
- Estabeleça limites financeiros: aprender a dizer “não” a pedidos de ajuda econômica é essencial para preservar seus próprios objetivos.
- Pratique decisões conscientes: antes de gastar, pergunte-se se a escolha está alinhada aos seus planos ou se é fruto de culpa, medo ou hábito herdado.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1501, de 26 de dezembro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.








