Quem nunca contou uma mentirinha para si mesma para justificar um gasto inesperado? No 1º de abr, vale a pena refletir sobre como alguns desses pequenos autoenganos podem impactar o bolso. Segundo Mila Gaudencio, educadora financeira e consultora do will bank, certas desculpas recorrentes podem levar a uma relação distorcida com o dinheiro, dificultando a organização financeira e gerando mais estresse.
“Eu mereço!”: o autoengano que pode custar caro
A sensação de que merecemos uma recompensa financeira é comum, mas pode levar a gastos impulsivos. “Nosso cérebro nos convence de que aquela compra vai trazer satisfação duradoura, mas, na maioria das vezes, o prazer é passageiro”, alerta Mila. Para evitar arrependimentos, uma boa estratégia é usar a técnica do dia seguinte: antes de comprar, pergunte-se se a vontade ainda estará lá amanhã. Se a resposta for “não”, é um sinal de que a compra pode esperar.
Ignorar a conta bancária não faz o problema sumir
Após uma viagem ou períodos de maior consumo, como fim de ano, muitas pessoas evitam olhar os gastos. “Melhor nem abrir o aplicativo do banco agora” é uma das mentiras financeiras mais comuns. No entanto, ignorar a realidade não resolve o problema. “Encarar os números e fazer ajustes no planejamento financeiro é essencial para retomar o controle”, afirma Mila. Ela também destaca que os bancos podem ser aliados nesse processo, oferecendo soluções personalizadas que ajudam na organização das finanças.
“Mês que vem eu compenso” pode virar um ciclo perigoso
A ideia de que no próximo mês será mais fácil equilibrar as finanças pode criar um padrão de adiamento. “O problema é que essa promessa muitas vezes não se concretiza, e a pessoa continua empurrando suas pendências financeiras para frente”, explica a consultora. Para quebrar esse ciclo, Mila recomenda estabelecer um valor fixo para economizar ou investir todos os meses, independentemente dos gastos. “Fazer um checklist mensal das finanças ajuda a manter o compromisso com a estabilidade financeira”, sugere.
Parcelamento pequeno: um perigo disfarçado
Quem nunca usou a desculpa “é só um parcelamento pequeno” para justificar uma compra? No entanto, somando várias parcelas, o valor final pode sair do controle. “Parcelar não é um problema, desde que esteja dentro do planejamento financeiro”, explica Mila. Para evitar o endividamento, ela sugere a tática do “1 para 1”: antes de fazer uma nova compra parcelada, quite uma parcela antiga. Dessa forma, você evita acumular dívidas e mantém a saúde financeira.
Como fugir das mentiras financeiras?
Identificar e reconhecer esses autoenganos é o primeiro passo para uma relação mais saudável com o dinheiro. Mila reforça que, além do autoconhecimento financeiro, ter um espaço para conversar sobre dinheiro é fundamental. “Explorar a relação emocional que temos com o dinheiro ajuda a fortalecer a consciência financeira e a evitar armadilhas”, conclui.
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