Promessas de pele mais equilibrada, menos acne e menos sensibilidade voltaram a circular com força no TikTok nos últimos meses. O nome da vez é skin fasting, um conceito que defende reduzir ou até pausar temporariamente o uso de cosméticos para “dar um descanso” à pele. Apesar do apelo, a prática levanta alertas importantes quando aplicada sem critério, principalmente durante o verão.
A ideia não é nova, mas ganhou versões mais radicais nas redes sociais, muitas delas distantes do que a dermatologia recomenda. Em países de clima tropical como o Brasil, abandonar cuidados básicos pode trazer mais prejuízos do que benefícios.
O que é skin fasting de verdade?
Do ponto de vista dermatológico, o skin fasting não significa suspender todos os produtos. A proposta original é simplificar a rotina, reduzindo excessos e evitando a sobreposição de ativos que podem sensibilizar a pele.
“Skin fasting não é abandono de cuidados, é redução estratégica. A pele precisa de uma rotina mínima contínua para manter sua função de barreira e proteção”, explica Marcella Alves, dermatologista da Onne Clinic.
Segundo a especialista, nas redes sociais o conceito acabou sendo interpretado de forma extrema, com pessoas interrompendo completamente o uso de cosméticos, o que não é recomendado, sobretudo em períodos de calor intenso.
Quando diminuir produtos pode ser benéfico
Simplificar a rotina pode, sim, trazer benefícios em alguns contextos. Isso costuma acontecer quando a pele apresenta sinais claros de sobrecarga, como ardor, vermelhidão, descamação ou piora da acne inflamatória.
“Esses quadros geralmente estão associados ao uso excessivo ou inadequado de ativos como ácidos, retinoides e esfoliantes. Nesses casos, reduzir etapas ajuda a pele a se reorganizar e recuperar a barreira cutânea”, afirma Marcella.
A dermatologista ressalta que essa redução deve ser planejada. Retirar produtos ao acaso pode mascarar problemas ou atrasar o tratamento adequado.
O erro mais comum no verão
O principal equívoco é confundir excesso de produtos com abandono total da rotina. No verão, isso pode ser especialmente prejudicial.
“No calor, a pele sofre mais com suor, oleosidade, poluição e radiação solar. Suspender cuidados essenciais nesse período aumenta o risco de manchas, inflamações e sensibilização”, alerta a especialista.
Segundo Marcella, há três etapas que nunca devem ser interrompidas, independentemente da tendência do momento: limpeza, hidratação e fotoproteção continuam sendo indispensáveis.
A limpeza adequada remove suor, oleosidade e poluentes. A hidratação mantém a integridade da barreira cutânea, inclusive em peles oleosas. Já o filtro solar diário é essencial para prevenir manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele.
“Mesmo quem tem pele oleosa precisa hidratar. Hidratação não significa deixar a pele pesada, mas protegida”, reforça Marcella.
Tendências das redes sociais pedem filtro
Para a dermatologista, seguir tendências sem orientação profissional está entre as principais causas de complicações dermatológicas observadas nos consultórios.
“Sou contra seguir qualquer tendência sem antes consultar um dermatologista. Cada pele tem histórico, genética, sensibilidade e reage de forma diferente, ainda mais em um país com alta exposição solar”, afirma.
Ela destaca que muitas modas virais ignoram fatores como clima, hábitos e condições pré-existentes, o que pode resultar em acne inflamatória, alergias e piora geral da qualidade da pele.
Como aplicar o conceito com segurança?
Em vez de suspender tudo, a orientação é adaptar o skin fasting à realidade individual. Isso significa revisar a rotina, eliminar produtos redundantes, evitar misturar ativos incompatíveis e manter o básico bem feito.
A simplificação consciente pode ser positiva, desde que feita com critério e, preferencialmente, com acompanhamento profissional. Assim, a pele descansa do excesso sem ficar desprotegida.
Resumo:
O skin fasting voltou a ganhar força nas redes sociais, mas exige cautela, especialmente no verão. Reduzir excessos pode ajudar a pele, mas abandonar limpeza, hidratação e filtro solar traz riscos. A adaptação individual e a orientação dermatológica são essenciais para evitar danos.
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