Se você frequenta as redes sociais, já deve ter esbarrado em vídeos e fotos de celebridades apostando no famoso “esperma de salmão” para rejuvenescer a pele. O termo pode causar estranhamento, mas por trás dele está o PDRN, um ativo que virou febre em consultórios estéticos e agora começa a aparecer com força em séruns e cremes de skincare.
Entre as famosas que já experimentaram procedimentos com PDRN estão Jennifer Aniston, além de influenciadoras brasileiras, como Virgínia Fonseca. Aqui no Brasil, com os recentes avanços do mercado de skincare, o PDRN também vem sendo encontrado em itens voltados aos cuidados com a pele, aqueles que a gente compra na farmácia.
O que é o PDRN e de onde ele surgiu?
O nome pode parecer complicado, mas a ideia é simples: PDRN é a sigla para Polydeoxyribonucleotide, um composto feito de fragmentos de DNA geralmente extraídos do sêmen de peixes, como o salmão. “Ele foi adaptado pela indústria dermocosmética para formulações tópicas e para uso em drug delivery, mantendo seu foco principal: promover recuperação da pele e melhora da qualidade cutânea”, explica a dermatologista Larissa Oliveira, da Onne Clinic (RJ).
O ativo já era velho conhecido em países asiáticos, principalmente na Coreia do Sul, onde sempre fez parte de tratamentos regenerativos avançados. “O PDRN sempre foi muito utilizado em injetáveis e procedimentos de consultório, justamente porque tem mecanismos bem estudados em regeneração tecidual”, diz a médica.
Com a popularidade crescente do K-Beauty e a busca por ativos mais potentes para reparar peles sensibilizadas, ele ganhou nova atenção. “Hoje já é possível estabilizar o PDRN em veículos com boa penetração e alta tolerabilidade, graças aos avanços em tecnologia de encapsulamento”, completa Larissa.
Do consultório para o skincare
Por muitos anos, o PDRN era associado exclusivamente a tratamentos estéticos de consultório, como microagulhamento robótico e lasers fracionados. Agora, começa a aparecer em séruns e cremes. Isso tem motivo.
Segundo a dermatologista, essa virada aconteceu por tendências muito claras do mercado. “Há uma busca crescente por ativos bioestimuladores não invasivos e regeneradores, além de um interesse por ingredientes que promovam reparação profunda, especialmente em peles sensibilizadas por retinol, ácidos, poluição e estresse”, diz a especialista.

E os benefícios no skincare são reais, ainda que diferentes dos alcançados com procedimento estético. No uso tópico, o PDRN ajuda a:
- Aumentar a renovação celular
- Melhorar a barreira da pele
- Reduzir inflamação e vermelhidão
- Melhorar textura e viço
- Apoiar cicatrização (pós-procedimento, pós-acne, irritações)
“No consultório, ele atinge camadas profundas da derme e atua com muito mais intensidade. No skincare, age predominantemente na epiderme e na derme superficial. Por isso, ele complementa, mas não substitui os tratamentos profissionais”, afirma.
As marcas concordam que o PDRN tópico chegou justamente para atender a demanda por resultados mais intensos sem depender apenas de procedimentos. “O PDRN se tornou altamente desejado porque reúne biotecnologia avançada e um apelo claro: regeneração real da pele”, diz Laura Kreuz, coordenadora de Comunicação Científica da Adcos.
Já para a Simple Organic, o motivo também envolve o aumento da consciência do consumidor. “O PDRN oferece aquilo que hoje é mais buscado no skincare: regeneração profunda, fortalecimento da barreira cutânea e rejuvenescimento visível”, afirma Tatiane Rocha, Head de P&D da marca.
A novidade no skincare
Houve inovação real em laboratório para que o boom do PDRN nos cosméticos surgisse. A Adcos, por exemplo, conseguiu estabilizar um PDRN 100% purificado, com baixo peso molecular. “Isso garante maior permeação na pele, atingindo camadas profundas e entregando resultados eficazes mesmo em concentrações menores”, diz Laura. A marca também destaca a alta concentração utilizada e a combinação com exossomas e micropeptídeos regeneradores.

Já a Simple Organic, marca de beleza limpa, trouxe um PDRN vegano, obtido do DNA do arroz. “A origem tradicional do PDRN não era compatível com nossos valores de sustentabilidade. Com o avanço da biotecnologia, conseguimos desenvolver uma versão vegana obtida de resíduos do arroz — um ingrediente upcycled — que entrega o mesmo desempenho com responsabilidade ambiental”, afirma Tatiane.
Ela explica que o produto da marca combina PDRN vegano, exossomos de centella asiática (planta que ajuda na cicatrização da pele, entre outros benefícios) e peptídeos biotecnológicos. “Nossa solução reúne três tecnologias avançadas que atuam de forma sinérgica, entregando firmeza, luminosidade e reparo contínuo”, diz.
E a procura só aumenta. As duas marcas apontam que o interesse atual por regeneração profunda, rejuvenescimento e ativos verdadeiramente eficazes é o que impulsionou a chegada do PDRN ao skincare.

Quem pode usar e quem deve tomar cuidado?
O PDRN é conhecido por ser amplamente tolerável, inclusive em peles sensíveis, secas ou reativas. Ele é especialmente indicado para quem está com a barreira comprometida, peles maduras, quem fez laser ou peeling recentemente e até pessoas com acne que ficam irritadas com facilidade. “Ele se destaca para peles sensibilizadas, pós-procedimento e até casos leves de inflamação, como rosácea leve, mas sempre com orientação médica”, diz Larissa.
Mas há exceções. “Vale atenção para alergia ou sensibilidade a derivados marinhos e para produtos sem rastreabilidade”, alerta a dermatologista. Quem tem restrição a ativos de origem animal pode optar pelas versões veganas que já chegaram ao mercado. Mesmo sendo seguro, a recomendação é conversar com a sua dermatologista antes de incluir qualquer ativo novo na rotina.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (9 de janeiro). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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