Todo mundo deseja ter uma pele livre de manchas, sinais de envelhecimento e bem iluminada. Para conquistar o tão sonhado rosto de bebê, os cuidados com a pele entraram na rotina de muita gente e, com tantas opções nesse mercado, muitas pessoas acabam utilizando produtos sem a prescrição de um especialista. Afinal, quem nunca comprou um produto após ver boas recomendações na internet? Embora seja uma prática comum, fazer uso de ativos, como os ácidos, sem orientação médica não é recomendado e pode surtir o efeito contrário em relação ao esperado.
O uso indiscriminado de ácidos é um dos principais exemplos. Se nos últimos anos eles eram exclusivos aos consultórios estéticos e dermatológicos, agora, essa categoria de ativos ficou popular por atuar diretamente na renovação celular da pele. Com o avanço do universo de beleza, os ácidos também passaram a ser encontrados em fórmulas de hidratantes, séruns, limpadores faciais e tônicos, além de também poderem ser utilizados sozinhos.
No entanto, isso não significa que eles estão liberados para qualquer um utilizar. O uso de ácidos, na verdade, depende da necessidade de cada pele e pode ter contra indicações, indo de acordo com a orientação médica.
Como os ácidos agem na pele
A dermatologista Samara Kouzak afirma que os ácidos atuam promovendo uma esfoliação química, que acelera a renovação celular — o chamado turnover entre os especialistas. “Podem auxiliar também na redução da espessura da camada córnea, na inibição da produção e na dispersão da melanina e podem também estimular a síntese de um novo colágeno”, cita a profissional.

Porém, os ácidos não são para qualquer um, mas podem ser recomendados em algumas situações dermatológicas, como:
- Tratamento da acne;
- Melasma;
- Hiperpigmentações gerais (manchas escuras) de face e regiões de dobras;
- Poros dilatados;
- Fotoenvelhecimento;
- Rosácea;
- Rejuvenescimento, melhora na textura, viço e luminosidade da pele.
Tipos de ácido e suas funções
- Ácido hialurônico: um dos mais famosos entre os adeptos de skincare, retém água, hidrata profundamente e preenche linhas finas e rugas, dando viço à pele;
- Ácido retinoico (tretinoína): derivado da vitamina A, é da mesma família que o retinol, mas uma forma mais potente. Indicado para quem tem acne, fotoenvelhecimento, melasma e manchas;
- Ácido glicólico: com ação esfoliante, é usado para melhorar textura da pele, amenizar linhas de expressão, uniformizar o tom e iluminar a pele;
- Ácido lático: mais suave que o glicólico e ideal para peles sensíveis, auxilia na melhora do viço e no clareamento de manchas;
- Ácido mandélico: com ação antibacteriana e anti-inflamatória, é utilizado para tratar acne e uniformizar o tom da pele;
- Ácido salicílico: ideal para o tratamento de acne, controle de oleosidade e desobstrução de poros;
- Ácido azelaico: bom para quem tem acne e rosácea, é utilizado para clarear manchas.
Perigos dos ácidos
Em caso de uso indevido de ácidos em alta concentração sem acompanhamento do médico dermatologista, a utilização de ácidos sem indicação médica pode causar eventos adversos leves até graves. Samara cita sintomas como irritação e ardência na pele, queimaduras, dermatites, manchas, infecções e até necrose, úlceras e cicatrizes.
“Os efeitos adversos dependem do tipo, da concentração do ácido, do pH, do veículo usado para aplicação e do tempo de contato com a pele. Por isso, recomendo que o desenvolvimento de uma rotina de skincare deve ser feito sempre por um médico dermatologista”, ela orienta.

Outro perigo pouco conhecido é misturar ácidos com outros ativos, como retinol e vitamina C. Segundo a médica, isso pode aumentar o risco de sensibilização da pele, irritação e outras reações adversas. “Para realizar associações, recomendo procurar acompanhamento dermatológico”, reforça.
Quem não deve usar
No geral, o uso de ácidos pode ser adaptado para todos os tipos de pele, desde que seja indicado por um especialista, mas Samara destaca alguns grupos que devem tomar mais cuidado, que incluem:
- Crianças, gestantes e lactantes;
- Pessoas com pele sensível, dermatites ativas, infecções cutâneas ativas (ex.: herpes);
- Pessoas com histórico de alergia aos componentes;
- Pacientes com tendência à hiperpigmentação pós-inflamatória (surgimento de manchas escuras na pele após uma inflamação ou lesão, como acne).
Faz uso de ácidos? Tome cuidado!
Para incluir os ácidos no skincare, é preciso atrelar o uso desses ativos a outros cuidados na rotina da pele. São eles:
- Inicie o uso com baixas concentrações. A recomendação é utilizar pequenas quantidades e alternar as noites de uso;
- Evite exposição solar e utilize protetor diariamente;
- Hidrate o rosto com frequência. Se sua pele for sensível, uma dica é passar o hidratante antes do ácido;
- Fique atenta aos sinais de irritação da pele, como vermelhidão, ardência e escurecimento;
- Evite combinar vários ativos sem orientação médica.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (30 de janeiro). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
Leia também:
Na perfumaria: 5 produtos de skincare por até R$ 70








