A maturidade pode trazer muitas vantagens: emocional fortalecido, acúmulo de experiências de vida que ajudam na tomada de decisões, estabilidade financeira, entre outras. Porém, quando falamos sobre o sexo pós 40, o cenário é cercado de tabus e inseguranças que muitas vezes levam os casais a abandonar a vida sexual.
Nesses casos, é preciso quebrar barreiras e criar confiança: é o que acreditam Aline Fischborn, de 42 anos, e Flávio Paiva, de 48, produtores de conteúdo adulto no Privacy e outras plataformas. Juntos há quatro anos, o casal começou a publicar sua intimidade em 2023, para ajudar outras pessoas com suas inseguranças na hora H.
AnaMaria conversou com o casal sobre o tema, e trouxe dicas de como explorar o sexo na maturidade.
DA TEORIA À PRÁTICA
Aline e Flávio decidiram compartilhar a intimidade do casal com objetivo pedagógico. O casal iniciou a prática com atendimentos individuais voltados para o público feminino.
“No início, o atendimento como coaching era feito de maneira individual. Falando com mulheres que estavam vivendo um relacionamento abusivo, ou que tinham se separado, e que estavam buscando se reencontrar”, inicia Aline.
“Por algum tempo focamos nesses atendimentos, mas sem abordar diretamente a questão sexual. A partir de então, começaram a vir algumas demandas dessas mulheres. Questões como não conhecerem o próprio corpo e não sentirem prazer no relacionamento sexual, porque ficaram muito tempo em um relacionamento, com o mesmo parceiro, ou até terem dúvidas se já tiveram algum tipo de orgasmo ou não”, continua a produtora de conteúdo.
A primeira ação do casal em relação ao conteúdo adulto explícito foi para orientar as mulheres e mostrar como melhorar a sexualidade.“Começamos com conteúdos teóricos. Por muitos anos fui professora universitária, então já trazia essa bagagem mais pedagógica, do ensinar. Com o tempo, conversamos e decidimos ir para a prática, porque tem coisas que é melhor ver para entender.”, explica Aline.
Flávio acrescenta que a vida sexual de ambos era feliz e bem resolvida antes de decidirem compartilhar a intimidade a dois: “As coisas vão convergindo. Tínhamos uma vida sexual muito feliz, éramos realizados desde o nosso primeiro encontro. Mas tínhamos consciência de que nossa experiência era privilegiada”.
“Ela vinha de um casamento de 20 anos, recém-separada. Eu estava separado há mais tempo, mas também me sentia frustrado. Tive outras experiências, em relacionamentos breves, mas não chegava ao nível de envolvimento, de prazer e de experiência de vida, mais profunda. Com a Aline foi imediato”, conta Flávio.
SEXO PÓS 40 E INSEGURANÇAS
O passo a passo existe em abundância pela web. O diferencial do conteúdo produzido por Aline e Flávio está na maneira como eles conduzem o conteúdo: “Já que somos especialistas pela prática, pensamos em fazer isso de maneira responsável, madura, muito erotizada, mas também cautelosa, porque pensamos no público feminino e sabemos que muitas experiências podem ser traumáticas”, diz ele.
Com a maturidade as coisas vão mudando: é possível entender com mais profundidade as próprias preferências. Na juventude, temos menos senso crítico. Além disso, há o desenvolvimento emocional e da autoestima. Preocupações com o desempenho entre quatro paredes também se tornam menos importantes no sexo pós 40.
“Talvez passe também por se permitir experimentar coisas novas. Não precisar ter o corpo perfeito para poder ter prazer sexual: se olhar no espelho, não se identificar com uma mulher de 20 anos, mas como uma mulher de 40, 50, 60 e estar de bem com seu corpo, independente dos padrões. A maturidade traz esse discernimento.”, acrescenta Aline.
Do ponto de vista masculino, Flávio diz que o excesso de energia e empolgação — e até um certo deslumbramento — na juventude impedem que a pessoa se coloque no momento presente.
Além disso, a educação sexual ‘predadora’ não contribui para o desenvolvimento de relações saudáveis. “Educamos muito mal nossos homens. Não existe um viés construtivo de pensar em um sujeito que esteja pronto para uma relação madura e segura”, completa.
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COMO DESENVOLVER A SEXUALIDADE NA MATURIDADE?
Em primeiro lugar, é preciso desconstruir o que é esperado de uma mulher na sociedade e a ideia do que é certo ou errado. “Não existe uma cartilha de bons modos. O que funciona para mim, pode não funcionar para o outro. É preciso se permitir explorar o próprio corpo. Dizer para essas mulheres que está tudo bem em explorar novos horizontes e ter experiências novas”, detalha Aline.
Confira a seguir dicas de como melhorar o sexo pós 40:
Invista na retomada do relacionamento:
Existem casais que estão juntos por conveniência. Nesses casos, o melhor a se fazer é reavaliar o relacionamento. “Se o casal não está nesse ponto, se eles estão um pouco sufocados, pelas carreiras, filhos ou questões financeiras e patrimoniais, é uma questão de manejo”, aconselha Flávio.
“Casais juntos há muitos anos passaram por muita coisa. Muita água passou debaixo dessa ponte. Então é preciso analisar como o casal lidou com as adversidades”, destaca ele.
Para sair dessa situação, é preciso tirar o foco de algumas outras coisas. Entender que os filhos já não são dependentes e investir na retomada do relacionamento, com uma viagem a dois, por exemplo. Essas atitudes demandam tempo, dinheiro e disposição mútua.
Um passo de cada vez:
Sexo funciona assim: quanto mais fazemos, mais queremos fazer — e o contrário também é verdadeiro. Se está frio, é preciso esquentar para ficar morno, e depois esquentar novamente para ficar quente. Por isso, nada de estratégias mirabolantes, comece pelo básico.
“O melhor viagra é o amor”, brinca Flávio, antes de completar: “Se o casal ainda tem essa relação afetuosa, ainda que um pouco prejudicada por esses eventos do dia a dia, podem começar com pequenas atitudes na rotina, como um ‘bom dia, meu amor’ ou perguntar como a pessoa está. Cada um deve se abrir para cuidar e ser cuidado.”
Fortaleça a parceria e o contato físico:
Aline lembra que o esforço tem que partir de ambos: “É muito fácil a rotina nos capturar. Para o universo feminino em especial é muito difícil. Precisam ser criados esses espaços e os dois precisam querer. Quando tem esforço demais só de uma das partes é muito cansativo.”
Além disso, é importante manter o contato físico. Esse toque não precisa ser necessariamente sexual, mas que tenha carinho. “Um contato do toque, pegar na mão, sentar ao lado para almoçar, essas atitudes que vão aproximando o corpo. O beijo é muito simbólico como esse espaço de união do casal”, finaliza Aline.
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