O Atlas da Violência 2025 trouxe um dado que acende um alerta vermelho: só em 2023, 3.903 mulheres foram assassinadas no Brasil. Isso significa uma média de 13 mortes por dia, número que mostra o quanto a violência de gênero continua sendo um problema estrutural no país.
A taxa nacional é de 3,5 homicídios para cada 100 mil mulheres, mas esse índice sobe de forma preocupante em algumas regiões. E, infelizmente, quem mais sofre com esse cenário é a população do Norte, onde Roraima desponta como o estado mais perigoso para mulheres.
Roraima: a realidade mais dura
Em Roraima, a taxa de homicídios femininos em 2023 foi de 10,4 por 100 mil mulheres — quase três vezes a média nacional. Esse dado coloca o estado no topo da lista dos mais violentos para mulheres.
O Atlas aponta alguns fatores para explicar esses números: a presença de garimpos ilegais, que criam ambientes extremamente violentos e marcados pela exploração sexual de meninas e mulheres; o consumo abusivo de álcool e drogas; e a ausência de políticas públicas de proteção em regiões mais isoladas.
Além disso, há um problema de subnotificação de mortes de mulheres indígenas. Muitas vezes, elas acabam classificadas em registros como “pardas”, o que invisibiliza ainda mais a violência enfrentada por esse grupo.
Outras regiões em alerta
No Nordeste, a Bahia aparece com taxa de 5,9 por 100 mil mulheres, a mais alta da região. Pernambuco também preocupa: além de estar entre os estados mais violentos, foi um dos que registraram maior crescimento da violência contra mulheres nos últimos anos.
No Sudeste, a realidade é um pouco diferente: São Paulo tem a menor taxa do país (1,6), mas o Rio de Janeiro acendeu um alerta ao registrar crescimento de 28,6% nos homicídios femininos de 2022 para 2023.
Já o Sul aparece como a região menos violenta, mas ainda assim não está livre de casos graves de feminicídio, lembrando que a violência pode se manifestar de maneiras diferentes em cada território.
A casa ainda é o lugar mais perigoso
Outro dado que chama atenção é que boa parte das mortes de mulheres acontece dentro da própria casa. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 64,3% dos feminicídios registrados pela polícia em 2023 aconteceram em ambiente doméstico. Isso mostra como, muitas vezes, o agressor está dentro da família ou é alguém próximo.
Caminhos para a mudança
A violência contra a mulher é estrutural e não será resolvida apenas com leis — embora avanços importantes tenham acontecido, como a atualização da Lei do Feminicídio em 2024. O Atlas reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes e de redes de proteção que funcionem de fato.
Se você está em situação de risco ou conhece alguém que precise de ajuda, é importante buscar apoio. A Central de Atendimento à Mulher (180) funciona 24 horas, todos os dias, e oferece orientação e encaminhamentos.
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