Com cada vez mais crianças acessando a internet cedo, muitas famílias se sentem preocupadas, e isso é absolutamente compreensível. Afinal, todo mundo quer garantir que filhas e filhos explorem o mundo digital com mais segurança — mas sem perder liberdade. “O ambiente digital ampliou significativamente as formas de violência contra crianças e adolescentes, especialmente contra meninas”, afirmam Gezyka Silveira, Coordenadora de Proteção e Desenvolvimento Infantil da Plan Brasil e Ana Nery, especialista em gênero e inclusão da Plan Brasil em entrevista à AnaMaria. Elas explicam que práticas como assédio, exploração sexual, exposição indevida e aliciamento se tornam comuns quando não há supervisão ou orientação adequada.
Além disso, a Plan Brasil alerta que a lógica das plataformas contribui para a adultização de meninas. “Os algoritmos reforçam estereótipos e padrões estéticos que afetam diretamente a autoestima das meninas”, explicam. Por isso, investir em educação digital e em proteção digital é urgente para que crianças e adolescentes entendam riscos, saibam pedir ajuda e naveguem com autonomia.
Desigualdades que ampliam riscos para meninas
Meninas enfrentam riscos maiores, pois vivem em um contexto atravessado por desigualdades estruturais. Elas lidam com padrões machistas e racistas que se reproduzem no ambiente digital e podem sofrer desde cyberbullying até a divulgação não consentida de imagens.
Esse cenário compromete autoestima, bem-estar emocional e liberdade de expressão. As redes, impulsionadas por algoritmos que favorecem engajamento a qualquer custo, acabam destacando conteúdos que reforçam a hipersexualização de meninas.
Controle parental sem rigidez: equilíbrio entre proteção e confiança
Para muitas famílias, lidar com riscos digitais pode parecer assustador. Ainda assim, as porta-vozes lembram que o diálogo é sempre o ponto de partida. “A proteção online exige mais do que vigilância, ela requer presença, escuta, afeto e educação”, destacam.
A Plan Brasil orienta que pais e responsáveis conversem abertamente sobre plataformas usadas, influenciadores preferidos e sentimentos que surgem durante o uso das redes. O controle parental, embora útil, deve aparecer como apoio — não como punição. Dessa forma, crianças e adolescentes se sentem acompanhados, e não vigiados.
Além disso, a instituição reforça que educação digital é um processo coletivo: escolas, comunidades e plataformas também precisam assumir responsabilidade. Quando todos trabalham juntos, as famílias não ficam sobrecarregadas e o ambiente digital se torna mais saudável e acolhedor.

Por que a proteção digital depende de toda a sociedade
A segurança na internet deve ser tratada como prioridade social. As escolas devem incluir educação digital nos currículos, criar protocolos de prevenção e oferecer espaços de escuta. As big techs, por sua vez, precisam investir em moderação mais eficaz, transparência e canais de denúncia acessíveis.
Governos têm papel fundamental ao regulamentar uso de dados, fortalecer políticas de inclusão digital e garantir orçamento para proteção da infância. Além disso, campanhas de conscientização promovidas por organizações e comunidade fortalecem a cultura de respeito e responsabilidade online.
Educação digital como ferramenta de autonomia e transformação
Ensinar meninas e meninos a usar a internet com pensamento crítico é um dos caminhos mais eficazes para criar ambientes digitais inclusivos. Isso inclui aprender sobre direitos humanos, diversidade, ética, verificação de informações e produção de conteúdo positivo.
Quando recebem apoio e orientação, crianças e adolescentes conseguem identificar fake news, reconhecer discursos de ódio e denunciar violências. Mais do que isso, passam a usar a internet para expressar suas histórias, criar vínculos, mobilizar causas e transformar suas comunidades.
Resumo: A educação digital tem papel central na prevenção das violências online. Com diálogo, presença e políticas públicas, é possível construir ambientes mais seguros para meninas e meninos. Assim, a proteção digital se fortalece e ajuda crianças a crescerem com mais autonomia e confiança.
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