Em 24 de fevereiro de 1932, o Brasil deu um passo decisivo rumo à democracia. Naquele dia, o primeiro Código Eleitoral entrou em vigor e garantiu às mulheres o direito de votar e de serem votadas. Assim, o país passou a reconhecer oficialmente a participação feminina na vida pública. Ao celebrar 94 anos do voto feminino, a data convida à reflexão: avançamos, mas ainda há um longo caminho pela frente.
O voto feminino transformou o cenário político nacional. Atualmente, as mulheres representam 52,86% do eleitorado brasileiro — são mais de 82 milhões de eleitoras, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ou seja, elas são maioria nas urnas. Em São Paulo, esse protagonismo também aparece: 53,27% do eleitorado é feminino. Portanto, quando falamos em democracia, falamos, necessariamente, da força das mulheres.
94 anos do voto feminino e os números da representatividade
Apesar da maioria nas urnas, as mulheres ainda enfrentam barreiras quando decidem disputar cargos públicos. Em 2022, 9.890 brasileiras registraram candidatura, o que correspondeu a 33,8% do total. Embora o número represente crescimento em relação a 2018, os homens ainda lideram as candidaturas.
A política de cotas, prevista na Lei nº 9.504/1997, determina que cada partido deve reservar ao menos 30% das vagas para candidaturas de cada gênero. Além disso, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) garantiram a divisão proporcional de recursos do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda. Dessa forma, o sistema busca equilibrar o jogo.
No entanto, segundo dados de 2025 da ONU Mulheres, o Brasil ocupa apenas a 133ª posição no ranking global de mulheres em parlamentos. Por outro lado, elas comandam 10 dos 31 ministérios atuais — o equivalente a 32,3%. Ou seja, há avanços, mas o desafio persiste.
Mulheres que abriram caminho para o voto feminino

Muito antes do reconhecimento oficial, nomes como Bertha Lutz já mobilizavam a sociedade em defesa dos direitos políticos femininos. Bióloga e advogada, ela liderou o movimento sufragista no país e teve papel decisivo na conquista do voto feminino. Seu legado, inclusive, integra o programa Memória do Mundo da UNESCO.
Outra pioneira foi Celina Guimarães Viana, que se tornou a primeira eleitora do Brasil, em 1927, no Rio Grande do Norte. Pouco depois, Alzira Soriano entrou para a história ao assumir a prefeitura de Lajes (RN), em 1928.
Portanto, quando celebramos os 94 anos do voto feminino, celebramos também a coragem dessas mulheres. Afinal, elas abriram portas para que milhões de brasileiras ocupassem espaços antes negados.

Resumo: O Brasil celebra 94 anos do voto feminino, conquista que garantiu às mulheres o direito de votar e serem votadas. Hoje, elas são maioria do eleitorado, mas ainda enfrentam desafios na representatividade política. Apesar de avanços nas candidaturas e nos ministérios, o país segue abaixo da média global. A data reforça a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de poder.
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