A comediante Juliana Oliveira tornou pública sua decisão de denunciar Otávio Mesquita por estupro, trazendo à tona os desafios que vítimas de crimes sexuais enfrentam ao buscar justiça. A acusação foi formalizada no Ministério Público de São Paulo (MPSP) na última quinta-feira (27), e refere-se a um episódio ocorrido durante a gravação do programa “The Noite”, do SBT, em abril de 2016.
A humorista compartilhou sua dor com seus seguidores. “Não foi fácil! Tornar pública minha dor e buscar justiça foi uma decisão difícil”, afirmou Juliana Oliveira em suas redes sociais. Ela destacou que, neste momento, escolhe o silêncio para se resguardar e encontrar apoio na família. “Quando me sentir pronta, vou falar – não para aparecer, mas para encorajar outras mulheres a denunciarem qualquer tipo de abuso”, acrescentou.
O que diz a denúncia contra Otávio Mesquita
A defesa de Juliana Oliveira afirma que a comediante foi vítima de “atos libidinosos com emprego de força física” por parte de Otávio Mesquita, na presença de mais de cem pessoas no estúdio. Segundo os advogados, o apresentador desceu do palco de ponta-cabeça e fantasiado, tocando em partes íntimas de Juliana. A humorista teria demonstrado contrariedade com palavras e gestos, tentando se desvencilhar e reagindo com tapas e chutes.
Otávio Mesquita nega as acusações
Em entrevista à CNN, Otávio Mesquita classificou a denúncia como um “absurdo”. O apresentador alegou que a cena foi combinada com Juliana, inclusive a reação dela. Sua defesa informou que pretende entrar com um pedido de indenização contra a comediante. “O valor é o de menor importância perto da proteção à honra do cliente”, afirmou o advogado.
Desafios enfrentados por vítimas ao denunciar crimes sexuais
A advogada Camila Sacramento de Almeida, especialista em direito penal e processo penal, explica que as mulheres que denunciam crimes sexuais, especialmente contra figuras públicas, enfrentam desafios complexos. “O ceticismo judicial ainda é uma barreira, pois muitas vítimas precisam provar a veracidade da denúncia sem evidências físicas ou testemunhas diretas”, diz em entrevista à AnaMaria.
Além disso, a desigualdade no acesso à justiça pode dificultar o processo, já que figuras públicas geralmente contam com advogados influentes e recursos para se defender. Outro ponto é a vitimização secundária, que ocorre quando a vítima enfrenta exposição excessiva e julgamento social.
A pressão social e o medo de represálias
Camila Sacramento também destaca que a estigmatização social é um dos maiores obstáculos para as vítimas. “Muitas mulheres são julgadas e têm sua conduta questionada, como se fossem responsáveis pela agressão sofrida”, afirma a advogada. Em casos que envolvem famosos, o medo de retaliação também é um fator desmotivador. “Vítimas temem não apenas pela própria segurança, mas também pela de seus familiares”, alerta.
Mudanças necessárias para um sistema mais humanizado
Para tornar o sistema de justiça mais acolhedor e eficiente para vítimas de crimes sexuais, Camila Sacramento sugere algumas mudanças. “Profissionais do sistema judicial precisam de treinamento para lidar com vítimas de forma sensível e empática”, diz. Ela também defende a criação de unidades especializadas para crimes sexuais e a possibilidade de depoimentos por videoconferência, evitando o contato direto com o agressor.
Outras medidas incluem apoio psicológico durante todo o processo e a implementação de procedimentos que protejam a identidade da vítima. “Tornar o sistema mais ágil também é essencial para evitar que as vítimas esperem anos por um desfecho”, conclui.
O caso envolvendo Juliana Oliveira e Otávio Mesquita levanta uma discussão importante sobre o acolhimento de vítimas e a necessidade de avanços no sistema de justiça. Garantir que mulheres possam denunciar sem medo, principalmente em ambientes de trabalho, é essencial para combater a impunidade e prevenir novos abusos.
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