Nem todo pai ou mãe com atitudes prejudiciais é uma pessoa ruim. Muitas vezes, o excesso de proteção ou a falta de limites são reflexos de um amor mal direcionado. A psicóloga argentina Camila Saraco explica à BBC News que muitos pais, sem perceber, adotam comportamentos tóxicos que podem afetar profundamente a autoestima e a capacidade emocional dos filhos.
O psicólogo mexicano Joseluis Canales, autor do livro Pais Tóxicos: Legado Disfuncional de uma Infância, reforça que a criança precisa tanto de amor quanto de formação para a vida. Quando um desses elementos faltam, os danos aparecem.
O impacto dos comportamentos tóxicos na educação
Os reflexos de uma criação disfuncional se manifestam de formas diferentes entre as gerações. Pais mais antigos, das gerações Baby Boomers e X, costumavam ser mais distantes emocionalmente, o que resultou em adultos inseguros e com dificuldades de expressão afetiva.
Já nas últimas décadas, a superproteção ganhou espaço, criando filhos que não sabem lidar com frustrações e desafios. Essa falta de preparo pode comprometer sua adaptação ao mundo real.
Tipos de pais tóxicos e suas características
Pais abusivos
A violência física é uma das formas mais evidentes de abuso, mas não a única. Comentários depreciativos e agressões verbais também deixam marcas profundas. O perigo está em transformar essas palavras negativas em uma voz interna que compromete a autoconfiança dos filhos.
Pais manipuladores
A manipulação emocional é um comportamento comum, principalmente entre mães que usam a culpa para controlar seus filhos. Comentários negativos sobre seus relacionamentos ou exigências que os mantenham presos à família são exemplos claros desse tipo de abuso.
Pais controladores
O desejo de moldar a vida dos filhos pode ser sufocante. Alguns pais impõem carreiras e caminhos sem considerar os desejos da criança. Hoje, essa toxicidade também aparece na forma de superproteção, impedindo o desenvolvimento da autonomia.
Pais negligentes
Ser permissivo demais também pode ser prejudicial. Deixar a criança sem limites ou responsabilidades faz com que ela cresça sem referências claras sobre respeito e obrigações, comprometendo seu desempenho acadêmico, social e profissional.
Como lidar com pais tóxicos e ressignificar a educação recebida
Se você cresceu com pais controladores ou superprotetores, o primeiro passo é reconhecer que essa relação precisa de limites. Não tente mudá-los nem entre em discussões que não vão levar a soluções. O foco deve ser fortalecer sua autoestima e aprender a diferenciar amor de controle.
Canales reforça que o verdadeiro desafio é desaprender conceitos errados sobre amor e estabelecer vínculos saudáveis. Assim, é possível romper com padrões negativos e construir relacionamentos mais equilibrados.
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