A violência doméstica continua sendo uma realidade dura para milhões de brasileiras. Embora os números oficiais indiquem uma redução em relação a anos anteriores, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, revela um cenário que ainda exige atenção, escuta e políticas públicas consistentes.
Ao longo de duas décadas, o levantamento se consolidou como a mais extensa série histórica sobre o tema no Brasil. Os dados ajudam a entender não apenas a dimensão da violência contra a mulher, mas também seus impactos silenciosos dentro das famílias e da sociedade.
Violência doméstica contra a mulher e o impacto dentro de casa
A pesquisa trouxe um dado especialmente preocupante: em 71% dos casos de agressão doméstica, outras pessoas presenciaram o momento da violência, na maioria dos casos, filhos ou filhas das próprias vítimas.

Esse cenário mostra que a violência de gênero ultrapassa o sofrimento individual. Afinal, crianças que convivem com episódios de agressão tendem a carregar marcas emocionais profundas, o que reforça a urgência de ações preventivas e de apoio psicológico às famílias.
Pesquisa amplia o olhar sobre a violência contra a mulher
Em 2025, a Pesquisa DataSenado ouviu 21.641 mulheres com mais de 16 anos em todas as unidades da Federação. Pela primeira vez, o estudo incluiu mulheres trans e aprofundou temas como violência digital, recorrência das agressões e subnotificação.
Segundo os dados, quase 60% das mulheres relataram que as agressões começaram há menos de seis meses. Por outro lado, 21% convivem com a violência há mais de um ano, o que reforça o caráter repetitivo da violência doméstica contra a mulher.
Outro ponto relevante envolve o ambiente digital. Cerca de 10% das entrevistadas afirmaram ter sofrido agressões on-line, como mensagens ofensivas constantes, invasão de contas ou criação de perfis falsos.
Lei Maria da Penha e os desafios para a proteção efetiva
A Lei Maria da Penha nasceu, em parte, a partir dos dados da primeira edição da pesquisa, em 2005. Desde então, tornou-se referência mundial no combate à violência contra a mulher. Ainda assim, os desafios permanecem.
Apesar de a maioria das brasileiras conhecer a lei, apenas 19% afirmam conhecê-la bem. Além disso, a confiança na sua efetividade caiu em comparação a 2023. O desconhecimento é maior entre mulheres com menor renda e escolaridade, o que reforça a necessidade de informação acessível e contínua.
Quando falamos em medidas protetivas, os números também preocupam: 62% das vítimas não solicitaram esse recurso. Entre as que pediram, 17% relataram descumprimento da medida.
Subnotificação mantém a violência invisível
Embora 33% das entrevistadas tenham vivenciado ao menos uma das formas de violência apresentadas no questionário, muitas não se reconhecem como vítimas. Essa discrepância evidencia como a violência doméstica ainda se manifesta de maneira naturalizada.
O principal motivo para não denunciar envolve a preocupação com os filhos, seguido pela descrença na punição do agressor e pela esperança de que o episódio não se repita. Em geral, as mulheres buscam apoio primeiro em amigos, familiares ou na igreja, enquanto serviços formais seguem pouco acionados.
Apesar da queda percentual de 7% para 4% entre 2023 e 2025, o levantamento estima que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica apenas nos últimos 12 meses. Ou seja, o problema continua grave, recorrente e muitas vezes invisível — especialmente quando acontece dentro de casa e diante de crianças.
Resumo: A Pesquisa DataSenado 2025 mostra que a violência doméstica contra a mulher ainda atinge milhões de brasileiras. Mesmo com redução nos índices, a presença de crianças, a subnotificação e a baixa procura por ajuda formal preocupam. O estudo reforça a importância de informação, acolhimento e políticas públicas contínuas.
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