Que o Carnaval é uma das maiores festas populares do Brasil e atrai milhões de foliões em busca de diversão, música e celebração, todo mundo sabe. No entanto, essa euforia pode acarretar sérios riscos à saúde, principalmente quando as pessoas exageram no fator “curtição”. Ouvimos dois especialistas em saúde para entender quando esse comportamento pode colocar, inclusive, a própria vida em risco.
Para o Dr. Marcelo Koji Ota, ginecologista do Hospital Saint Patrick, o prazer momentâneo pode custar nossa saúde. Durante o Carnaval, o contato físico e os beijos são comuns entre os foliões. Embora pareçam gestos inofensivos, infelizmente, podem representar um risco significativo de transmissão de doenças.
“A troca de beijos pode ocasionar aquisição de infecções como Herpes Labial, Mononucleose e até Hepatites. Sobre o sexo então, há maior incidência nessa época por conta do alto consumo de álcool e das relações sem proteção que podem ocasionar contaminação por HIV, Sífilis, Gonorreia e Clamidia”.
De acordo com uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS), feita ano passado com 250 mil adolescentes de 15 anos em 42 países, os jovens estão deixando de lado o uso de camisinha. O dado é alarmante: entre os meninos, o uso de preservativos caiu dos 70% registrados em 2014 para atuais 61%.
“O Brasil apresenta uma taxa de novos diagnósticos de HIV preocupante, com cerca de 41 mil novos casos por ano, segundo o Ministério da Saúde. Ainda, o número de infecções bacterianas como Gonorreia e Clamidia, que muitas vezes não apresentam sintomas, mas podem levar a complicações graves se não tratadas, evoluem também e geram alerta. O uso consistente de preservativos é a principal forma de prevenção e mesmo com tantos riscos, as pessoas ainda brincam com a vida”, finaliza o médico.
Epidemia de solidão evidencia carência e isso é um risco

É preciso ter cuidado para não querer preencher o vazio com álcool e comportamentos dos quais se arrependa depois. Foto: Pixabay.Para a psicanalista Cintia Castro, mais do que nunca é preciso ter cautela. “Estamos vivendo uma epidemia de solidão silenciosa e muitas pessoas, pelo vazio que sentem, acabam exagerando no álcool e vivem um dia como se não houvesse amanhã, só que esse ato tem consequências”, detalha.
De acordo com a especialista, muitos tentar se validar durante essa festa social com o objetivo de tentar suprir a carência, o que não ocorre. “Frequentar bailes e blocos, beijar sem ter o mínimo de bom senso e extrapolar os limites é um comportamento que entorpece o indivíduo na hora, mas segue com um efeito rebote muito mais forte como consequência depois”.
A frustração e arrependimento passada a embriaguez faz com que a pessoa se cobre ainda mais por ter tido aquela reação, de acordo com Cintia. “Por viver algumas horas ou até dias tentando entorpecer a dor, quando a pessoa volta ao estado normal e percebe que ela ainda está ali e que, pior, ela vem também a ressaca moral pelo que fez, o quadro de depressão, angústia e ansiedade pode aumentar e se agravar”, explica a psicanalista.








