Um episódio registrado recentemente em Balneário Camboriú (SC) voltou a chamar a atenção para um tema que parece simples, mas exige muita responsabilidade: a exposição de bebês ao sol e ao calor intenso. Um casal foi orientado por autoridades a retirar um bebê da praia em um dia em que a sensação térmica chegou a 41 °C. O caso ganhou repercussão, gerou debate nas redes sociais e, mesmo com o tempo passando, deixa uma mensagem importante: bebês não lidam com o calor da mesma forma que adultos e os riscos podem ser graves.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), bebês, especialmente os menores de seis meses, ainda não conseguem regular bem a própria temperatura corporal. Eles perdem líquidos com facilidade, têm a pele extremamente sensível e podem sofrer rapidamente com desidratação, hipertermia e insolação. Como explica a pediatra Dra. Maria de Fátima Mota, Coordenadora de Pediatria do Hospital Saint Patrick, “isso não é excesso de zelo, é proteção à saúde”.
A médica reforça que bebês podem sair ao ar livre, mas isso não significa exposição direta ao sol. “Dependendo da idade, o ideal é no máximo meia hora antes das 10 horas da manhã e depois das 16 horas, sempre com proteção adequada. O calor do sol, o chamado mormaço, também queima”, alerta. Para recém-nascidos, a orientação é ainda mais restrita: “Quando o bebê sai da maternidade, explico aos pais que o contato com o sol deve ser de no máximo cinco minutos, antes das 10h ou após as 16h, mais como um passeio, pensando na vitamina D”.
Médica alerta sobre problemas no verão
Um ponto crítico é a falsa sensação de segurança. Bebês no carrinho, apenas de fralda, mesmo sob sombra parcial, continuam expostos ao calor acumulado do ambiente. “Nunca se deve cobrir totalmente o carrinho com panos, porque isso aumenta muito a temperatura interna”, destaca a médica. Em situações de calor extremo e exposição prolongada, os riscos incluem desidratação, insolação, queimaduras solares, mesmo sem vermelhidão imediata, queda de pressão e até comprometimento neurológico.
Os sinais de alerta nem sempre vêm em forma de choro. Sonolência excessiva, irritabilidade, pele muito quente, respiração acelerada e diminuição do volume de urina são indícios de que algo não vai bem e exigem atenção imediata.
De forma prática, a SBP orienta que bebês menores de seis meses não usem protetor solar. A proteção deve ser feita com sombra, roupas leves (preferencialmente com proteção UV), chapéu de abas largas e passeios curtos, sempre fora dos horários de sol forte. A hidratação deve ser constante, com leite materno ou fórmula, conforme a idade.
Especialista diz que praia pode não ser agradável sempre
A praia, embora agradável para adultos, não traz benefícios diretos para bebês pequenos quando não há controle rigoroso do ambiente. “Para bebês, o risco pode ser maior do que o benefício, se não houver cuidado”, resume a Dra. Maria de Fátima.
Em casos de exposição prolongada ao risco, mesmo após orientações, pode haver avaliação por órgãos de proteção à criança. O objetivo, porém, não é punir, e sim garantir a segurança do bebê, considerando fatores como condições climáticas, tempo de exposição e estado clínico.
A mensagem final é simples e direta: se o calor está intenso para um adulto, está muito mais para um bebê. Na dúvida, procure sombra, reduza o tempo de exposição, hidrate com frequência e, ao menor sinal de alteração, busque atendimento médico. Cuidar é um aprendizado diário e proteger é uma das formas mais importantes de amar.








